O vice-presidente americano, o republicano J.D. Vance, chamou Abdul El-Sayed, muçulmano e democrata candidato ao Senado dos Estados Unidos por Michigan, de "muito maligno" em um comício na semana passada e o acusou de defender o terrorismo por declarações fei…

O vice-presidente americano, o republicano J.D. Vance, chamou Abdul El-Sayed, muçulmano e democrata candidato ao Senado dos Estados Unidos por Michigan, de "muito maligno" em um comício na semana passada e o acusou de defender o terrorismo por declarações feitas após um ataque, em março, contra uma sinagoga nos arredores de Detroit.

No Texas, o governador republicano Greg Abbott, que disputa uma eleição apertada em busca de mais um mandato, atacou um projeto imobiliário liderado por muçulmanos e pediu uma investigação sobre o que descreveu como tentativas de criar "tribunais da sharia", alegação contestada pelos responsáveis pelo empreendimento e por grupos de defesa dos direitos civis.

No Alabama, onde os muçulmanos representam menos de 0,5% da população, o senador republicano Tommy Tuberville, candidato ao governo do Estado, alertou que “o inimigo está dentro dos portões”, em referência ao que chamou de islamismo radical.

As declarações refletem uma tentativa de colocar os muçulmanos e o Islã no centro do debate eleitoral antes das eleições legislativas de 3 de novembro, que definirão se os democratas conseguirão tirar do Partido Republicano do presidente Donald Trump o controle do Congresso.

Críticos afirmam que a retórica mira injustamente os muçulmanos, enquanto republicanos dizem estar levantando preocupações legítimas sobre segurança, extremismo e o papel da religião na vida pública.

O porta-voz da campanha de Abbott, Eduardo Leal, afirmou que as medidas do governador do Texas em relação ao empreendimento tinham como alvo supostas irregularidades, e não crenças religiosas.

Os Estados Unidos têm cerca de 5,5 milhões de muçulmanos, ante 2,4 milhões em 2007, segundo o Pew Research Center. Eles representam cerca de 1,6% da população do país.

Muçulmanos americanos alcançaram uma série de marcos políticos nos últimos anos, após a eleição de vários representantes da comunidade para a Câmara dos Deputados.

Nova York elegeu no ano passado seu primeiro prefeito muçulmano, Zohran Mamdani, enquanto El-Sayed pode se tornar o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA. Na Virgínia, Ghazala Hashmi tornou-se a primeira mulher muçulmana eleita para um cargo de abrangência estadual ao eleger-se vice-governadora.

A retórica também chegou às disputas pela Câmara. Os deputados republicanos Keith Self e Chip Roy, ambos do Texas, criaram um “Caucus por uma América Livre da Sharia”, enquanto o deputado republicano Randy Fine, da Flórida, apresentou um projeto que, segundo ele, pretende “combater o avanço” da lei islâmica nos Estados Unidos.

Como único muçulmano candidato ao Senado no país, El-Sayed, nascido nos Estados Unidos, tornou-se alvo de retórica anti-islâmica em todo o país.

As críticas de Vance se concentraram em declarações feitas por El-Sayed após um homem jogar um veículo contra uma sinagoga nos arredores de Detroit, em março, enquanto havia crianças no prédio.

El-Sayed condenou o ataque, mas também disse, referindo-se ao agressor, que “pessoas feridas ferem outras pessoas”, observando que alguns parentes do homem no Líbano haviam sido mortos recentemente em um ataque aéreo israelense.

O candidato democrata disse mais tarde que suas declarações poderiam ter sido mal interpretadas e pediu desculpas.

Em resposta ao ataque de Vance, El-Sayed afirmou no mês passado: “Mal é tirar o acesso à saúde de trabalhadores em troca de cortes de impostos para bilionários. Mal é fazer as pessoas pagarem mais por alimentos e gasolina enquanto se promovem guerras comerciais e guerras de verdade. Mal é dividir as pessoas em benefício próprio.”

El-Sayed também foi criticado por republicanos por sua associação com Hasan Piker, influenciador de esquerda nas redes sociais que afirmou que os Estados Unidos mereceram os ataques de 11 de setembro de 2001.

Em uma entrevista a um podcast, El-Sayed falou sobre o sentimento de isolamento vivido por alguns americanos, que atribuiu aos celulares e às redes sociais, e contrastou essa realidade com o senso de comunidade desfrutado por seus parentes no Egito.

Em resposta, Tuberville escreveu no X: “Se você odeia tanto os Estados Unidos, vá morar no Egito.”

O público demonstra insatisfação com Trump, cuja taxa de aprovação está estagnada em torno de 33%. As principais preocupações dos eleitores são o alto custo de vida, a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã e as tarifas de Trump sobre produtos estrangeiros.

A opinião pública em relação a Israel mudou, especialmente entre democratas, com pesquisas mostrando aumento da simpatia pelos palestinos e da oposição à ajuda militar americana.