Praticamente um em cada três eleitores não votaram nas últimas eleições - Rovena Rosa/Agência Brasil O cenário da eleição presidencial, faltando poucos dias para o fim do primeiro turno, é de indefinição. Os principais candidatos à Presidência da República, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), lideram a disputa, mas também seguem como os postulantes mais rejeitados da disputa. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 17, 47% dizem que não votariam em nenhum dos dois postulantes. Além deste cenário, as principais instituições do país enfrentam crises inéditas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um forte desgaste público em torno dos ministros da Corte, André Mendonça e Alexandre de Moraes, que pedem investigações um contra o outro por suas condutas. O episódio levou a ministra do STF Cármen Lúcia pedir desculpas ao povo brasileiro. Na esteira da polêmica, pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (18), mostrou que 48% dos eleitores brasileiros não confiam no Supremo. Em pleno processo eleitoral, Congresso Nacional aparece em patamar próximo. Segundo o Datafolha, 45% dos eleitores dizem não confiar nos deputados e senadores. Já a Presidência da República registra 42% de desconfiança, enquanto os partidos políticos são alvo de desconfiança de 45% dos eleitores brasileiros. Desconfiança A desconfiança nas instituições de poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - é um dos fatores que pode contribuir para a descrença do eleitorado. Apesar de não estar diretamente ligado às eleições, a cientista político Isaac Luna explica que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) é um sintoma para a desmotivação dos eleitores e contribui para o fortalecer o sentimento de impotência perante à população. “Essa crise do STF é muito mais sintoma do que a causa. Como não há controle público, as pessoas não estão mais dispostas a fazer da praça pública uma praça de controle dos poderes, de exercício dos poderes. Os poderes se sentem mais à vontade. E como os poderes se sentem mais à vontade para fazer o que querem, isso vai provocando cada vez mais uma repulsa e um sentimento de que não tem o que fazer.” Ainda segundo a pesquisa, 38% dos eleitores consideram que a crise do STF prejudica a campanha de Lula, enquanto 31% dizem que Flávio Bolsonaro é o mais afetado. Polarização O colunista da Folha de Pernambuco Luiz Otávio Cavalcanti apontou a polarização como uma das razões para o desgaste do eleitorado do país. “A desmotivação das pessoas está na polarização, no extremismo, no fato de que nós perdemos o tom da razão. O país está dividido, fraturado apartado de si próprio. Essa divisão vem afetando o país há um tempo e aguçou-se no governo de Jair Bolsonaro, por conta do seu estilo agressivo”, explicou. Pesquisa A pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha, divulgada nesta semana, apontou a falta de vínculos comunitários, a solidão, a exaustão mental e a dependência digital como motivos para o afastamento de parte dos eleitores das urnas.