Reunião entre Irã e potências do Golfo é adiada, enquanto ataques a rotas de transporte elevam preocupações globais
Compartilhar matériaReunião sobre Ormuz trava e ameaça agravar crise global do petróleoA diplomacia no Oriente Médio parecia perder força nesta segunda-feira (14), após o adiamento de uma reunião entre o Irã e outras potências do Golfo. Ao mesmo tempo, ataques nas duas principais rotas de transporte de petróleo da região aumentaram as preocupações sobre o abastecimento global de energia.
Os preços do petróleo subiram mais de 3% nesta segunda-feira, após ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, um ataque separado que provocou o fechamento de seu principal oleoduto Leste-Oeste durante o fim de semana e ataques contra embarcações no Golfo, ampliando as preocupações com a oferta.
As esperanças de um avanço diplomático no curto prazo diminuíram quando o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, informou no fim de domingo que uma reunião regional marcada para esta segunda-feira havia sido adiada “no interesse do consenso”.
Autoridades iranianas haviam informado que participariam do encontro com os países árabes do Golfo para apresentar um acordo com Omã sobre a gestão das rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra.
A agência iraniana Fars citou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmando que a reunião foi adiada a pedido de alguns países da região, em uma decisão tomada conjuntamente por Teerã e Mascate. Segundo o funcionário, o Irã coordenará com Omã a definição de uma nova data para o encontro.
O adiamento ocorreu após a decisão da Arábia Saudita de interromper, pelo menos por enquanto, seu oleoduto que funciona como principal rota para transportar petróleo do Oriente Médio evitando o Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, o estreito continuou representando riscos para o transporte de petróleo. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou no domingo que uma embarcação foi atingida por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, provocando um incêndio e obrigando a tripulação a ser evacuada.
O Irã, por sua vez, afirmou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos quando uma embarcação comercial iraniana foi atingida na costa do país.
Dados preliminares de rastreamento de navios mostraram nesta segunda-feira que o número de embarcações comerciais que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para apenas um dígito por dia durante o fim de semana, bem abaixo da média de 14 travessias registrada nos dez dias anteriores.
Os números não incluem possíveis embarcações que tenham atravessado o estreito com os transponders de seus Sistemas de Identificação Automática (AIS) desligados para evitar serem detectadas.
Diesel nos EUA bate novo recorde
Os preços do petróleo subiram acima de US$ 100 por barril na semana passada pela primeira vez desde julho. O preço do diesel no varejo dos Estados Unidos, um indicador politicamente sensível, também atingiu um novo recorde no domingo, superando US$ 6,20 por galão.
Operadores do mercado e compradores de petróleo sauditas disseram à Reuters no domingo que Riad tem petróleo armazenado em quantidade suficiente no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para manter as exportações por apenas cinco a sete dias caso o oleoduto atingido na sexta-feira continue fechado.
Depois desse período, até 4% da oferta global de petróleo poderá ficar ameaçada, além dos milhões de barris por dia que já deixaram de ser transportados devido à redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita não divulgou detalhes completos sobre a extensão dos danos ao oleoduto nem informou por quanto tempo ele permanecerá inoperante. Fontes ouvidas pela Reuters deram estimativas divergentes sobre o tempo necessário para os reparos, variando de dias a semanas. Imagens de satélite mostraram enormes colunas de fumaça em pontos ao longo do oleoduto.
O recente aumento da violência relacionada à guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel há seis meses ocorre após um agosto relativamente tranquilo, no qual o fluxo de petróleo do Oriente Médio havia começado a se recuperar.
Em entrevista ao veículo pan-árabe Al-Arabi Al-Jadeed, sediado em Londres, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que, independentemente de qualquer acordo com Omã, o Irã não reabrirá o estreito até que os Estados Unidos atendam às exigências de Teerã.
Até o momento, os EUA não conseguiram alcançar os objetivos estabelecidos pelo presidente Donald Trump quando lançou a “Operação Epic Fury”, em fevereiro: encerrar o programa nuclear iraniano, impedir que o país tenha capacidade de atacar seus vizinhos e criar condições para que a população derrube seus governantes.
Durante uma viagem à Irlanda no fim de semana, que incluiu a participação no torneio de golfe Irish Open, Trump reiterou que ainda espera que a guerra com o Irã termine neste ano, possivelmente logo após as eleições de meio de mandato de novembro. Segundo ele, depois disso, o preço da gasolina “cairia como uma pedra”.
Ataques houthis continuam




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