A revista britânica The Economist publicou nesta segunda-feira um perfil do presidenciável Renan Santos em que o chama de Dark Horse.

Em dia de ToffoliRevista britânica chama Renan Santos de “Dark Horse” e o compara a MileiPor Hermano Freitas

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleRenan Santos no debate da Band: "sabíamos que não seria fácil", disse o candidato. (Foto: Sebastião Moreira / EFE)Ouça este conteúdo

A revista britânica The Economist chamou Renan Santos de “Dark Horse” (azarão) no mesmo dia em que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, impôs restrições à sua candidatura. O texto, um perfil do candidato, que foi publicado antes da decisão, compara a trajetória do presidenciável e a de seu ídolo, o argentino Javier Milei.

Apesar da coincidência, não há qualquer menção ao título do polêmico filme em produção que retrata a vida de Jair Bolsonaro — foco de suspeitas que envolvem seu filho, Flávio. A expressão, em inglês, indica um competidor de sucesso improvável.

Renan lembra dos anos Dilma ao comentar decisão de ToffoliRenan vincula decisão de Toffoli ao caso MasterO artigo inicia com a construção do personagem ao revelar a opinião de Renan sobre si mesmo: “Eu sou o maior orador da minha geração no mundo”. De acordo com a reportagem, Renan diz isso brincando “só um pouco”.

A publicação britânica menciona a anedota de que ele teria aprendido sueco fluentemente para “xavecar garotas” em uma viagem anual à Europa, que seria apelidada pelos amigos de “turnê das loiras”. Em visita ao partido Missão, a reportagem descreve um ambiente “mais parecido com uma startup do que com a sede de um partido”, composto por programadores e estúdios para gravação de shorts. A agenda cultural é explicada como uma resposta à "cultura do cancelamento" e à ideologia woke – o esquerdismo identitário radical.

A reportagem também cita as críticas que Renan faz aos concorrentes, classificando-os como “infantis”, “patéticos” e “medíocres”.

Nas comparações com Milei, a revista afirma que o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) seria “obcecado pela economia de livre mercado” e que “misturaria” o dogmatismo fiscal com o rock, liderando uma banda que exalta as “virtudes da competição e dos impostos baixos”. Como outsider político, lembra que ele começou a ganhar notoriedade durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, há exatos 10 anos.

A The Economist destaca que Santos distancia o MBL do movimento MAGA (Make America Great Again, de Donald Trump) porque aquele manteria um foco maior na economia. Como exemplo, cita que o partido é contrário à privatização da Petrobras. A reportagem prossegue descrevendo o projeto do Missão, que tem a ambição de desenvolver o Brasil em 30 anos por meio de reformas e indicadores de desempenho monitorados por inteligência artificial.

O texto menciona o lema “Prendeu, Matou” e a simpatia do partido pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele. Cita também a “doutrina do Direito Penal do inimigo”, resumida como uma “teoria criminal que defende que criminosos não merecem direitos civis”, ressaltando que a ideia poderia ser instrumentalizada por um Executivo empenhado em reprimir adversários políticos.

A revista menciona o senador Flávio Bolsonaro para argumentar que Renan tenta crescer explorando a desilusão da direita com o filho de Jair. “Flávio é extremamente fraco”, afirma um banqueiro, que não é identificado pela reportagem. “Renan é muito lido, informado e consegue falar sobre diversos assuntos. Flávio não sabe de nada.”

Entre as dificuldades de Renan, a revista aponta a de “conquistar o público feminino”. Isso se deveria, de acordo com o texto, ao seu histórico de elogios à manosfera e à amizade com Arthur do Val, com quem viajou para a Ucrânia em 2022 — ocasião após a qual o ex-deputado gravou um áudio em que declarou que as refugiadas ucranianas eram “fáceis porque são pobres”.

A The Economist encerra a apresentação de Renan ao leitor estrangeiro afirmando que ele oferece à direita “uma alternativa ao bolsonarismo” — se não “para esta eleição, para uma próxima”.

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