Prefeitura expande vigilância por IA com uso de sistemas de monitoramento, em acessos estratégicos com redução de roubos e furtos em até 73%

Imagine um mapa da cidade em que os locais com mais registros de roubos e furtos começam a “acender” como pontos de calor. Em vez de distribuir agentes, câmeras e fiscalização de forma uniforme por todo o território, a estratégia é concentrar recursos justamente onde esses pontos aparecem com maior intensidade.

É essa lógica que vem orientando a política de segurança urbana do Rio de Janeiro. De um lado, a Força Municipal amplia o policiamento ostensivo em áreas escolhidas a partir da análise de ocorrências. Do outro, a CIVITAS Rio expande uma rede de câmeras inteligentes capaz de cruzar imagens, características de veículos e trajetos para auxiliar investigações.

A última expansão da Força Municipal foi para Santa Cruz, na Zona Oeste, onde atua no entorno da estação de trem, no centro de comércio popular e nas proximidades do Santa Cruz Shopping. Agora, são 14 áreas estratégicas atendidas pelo efetivo desde o início das operações, em março.

“Com um trabalho focado no entorno de estações e áreas comerciais, reduzimos esses índices em quase 70% em algumas áreas de atuação e agora avançamos para Santa Cruz.”

O novo perímetro concentra alguns dos pontos de maior circulação do bairro. A estação ferroviária conecta moradores a outras regiões da cidade, enquanto o comércio popular e o shopping movimentam trabalhadores, estudantes e consumidores ao longo do dia.

O modelo é de policiamento preventivo e ostensivo. Na prática, isso significa agentes visíveis nas ruas com foco na prevenção e repressão imediata de roubos e furtos.

Mas a Força Municipal não substitui as polícias Civil e Militar: segundo o planejamento apresentado pela Prefeitura, seus agentes não são responsáveis por investigações criminais, enfrentamento ao crime organizado ou retomada de territórios conflagrados. A proposta é funcionar de forma complementar às demais forças de segurança.

Uma publicação partilhada por Prefeitura do Rio de Janeiro (@prefeitura_rio)

Os dados apresentados pelo município ajudam a explicar por que o modelo está sendo levado a outras regiões.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apresentados pela Prefeitura apontam redução nos registros de roubos e furtos de celulares e a pedestres em todos os perímetros atendidos pela Força Municipal, na comparação entre os mesmos períodos de 2025 e 2026.

A maior queda ocorreu na região que inclui o Metrô Botafogo, a Rua São Clemente e a Rua Voluntários da Pátria: 73,1%.

Em outro trecho de Botafogo, nas ruas Lauro Müller, Avenida General Severiano e Avenida Venceslau Brás, a redução foi de 65,3%.

Outro destaque foi na área da Freguesia e Jacarepaguá, com queda de 71,4%.

Segundo o balanço atualizado da Prefeitura, desde o início das operações, a Força Municipal realizou mais de 15.265 abordagens, que resultaram em 1.354 prisões e conduções às delegacias.

Nesse período, também foram recuperados ou apreendidos 350 celulares e 266 motocicletas. Os agentes apreenderam ainda uma pistola, 25 réplicas de armas de fogo e 73 armas brancas, além de cumprirem 33 mandados de prisão.

“Esses resultados expressivos reforçam a importância desse trabalho preventivo integrado às polícias”, afirmou o secretário municipal de Segurança Urbana, Brenno Carnevale.

Uma publicação partilhada por Prefeitura do Rio de Janeiro (@prefeitura_rio)

Enquanto os agentes ocupam pontos considerados críticos, outra parte desse sistema é operada pela CIVITAS Rio, que vem ampliando o uso das chamadas supercâmeras, equipamentos integrados a ferramentas de inteligência artificial e visão computacional.

Segundo a Prefeitura, o Rio de Janeiro possui cerca de 13.500 câmeras, das quais mais de 3.600 são classificadas como supercâmeras inteligentes.

Essas máquinas procuram elementos como cor, marca e tipo de veículo, direção de deslocamento, objetos e características de vestimentas. Isso permite, por exemplo, tentar reconstruir o caminho percorrido por determinado veículo mesmo quando a placa não aparece de maneira legível.