Os riscos geopolíticos tornaram-se a principal fonte de perturbações nas cadeias de abastecimento das empresas da União Europeia (UE), com mais de metade da...
As conclusões constam de um relatório do Banco Europeu de Investimento (BEI) e da Comissão Europeia e revelam que "os riscos geopolíticos se tornaram a principal causa de perturbações nas cadeias de abastecimento", estando em causa a incerteza e a fragmentação do comércio mundial.
O estudo, que analisa dados do Inquérito do BEI sobre o Investimento de 2025 e do Inquérito sobre Cadeias de Abastecimento de 2025, conclui que "as tarifas e os custos associados ao cumprimento das regras regulamentares se tornaram obstáculos ao comércio internacional maiores do que as perturbações logísticas ou a escassez de fatores de produção".
"A escassez de fatores de produção continua a ser uma preocupação e poderá ser agravada pelas tensões geopolíticas. A maioria das empresas considera estes problemas estruturais, [já que] 56% esperam que as tarifas elevadas se mantenham a longo prazo, enquanto cerca de metade prevê dificuldades persistentes no acesso a fatores de produção", acrescenta o documento.
De acordo com o relatório denominado "Reestruturação das cadeias de abastecimento: as empresas da UE numa época de risco geopolítico", isto "reflete a expectativa de que a fragmentação do comércio continuará a ser uma característica permanente da economia mundial".
Ainda assim, segundo os especialistas, "as empresas da UE estão a tornar-se mais resilientes às perturbações comerciais, com o Mercado Único europeu a desempenhar um papel estabilizador", estando assim as companhias comunitárias a diversificar fornecedores e mercados e a reduzir dependências estratégicas, passando de respostas de curto prazo a crises para estratégias de adaptação mais prolongadas.
Neste estudo, quase dois terços das empresas da UE afirmam estar preparadas para gerir riscos geopolíticos, com níveis de preparação particularmente elevados entre as empresas mais expostas aos Estados Unidos e à China e entre as que operam em setores com maior intensidade industrial.
Apesar das pressões, as perspetivas de competitividade "permanecem positivas", já que "quase 90% das empresas da UE esperam que o seu desempenho nas exportações se mantenha estável ou melhore".
As empresas que exportam para a China e para os Estados Unidos mostram, contudo, maior cautela, num contexto de riscos geopolíticos acrescidos nesses mercados.
A qualidade dos produtos e serviços e as competências dos trabalhadores são apontadas como os principais fatores de competitividade, enquanto o aumento dos custos e a incerteza constituem as principais ameaças, indica ainda o estudo.
Entre as recomendações estão a melhoria da adaptação das empresas e a criação de medidas públicas para reduzir a exposição à incerteza e apoiar o investimento em resiliência, tais como instrumentos financeiros, mecanismos de informação e alerta precoce sobre riscos geopolíticos e maior clareza regulamentar.
O estudo conclui que a manutenção da competitividade europeia num contexto de maior fragmentação do comércio mundial exigirá uma combinação de adaptação das empresas e políticas públicas de apoio, nomeadamente nas áreas das competências, inovação e digitalização.
O estudo surge numa altura em que a UE procura reduzir dependências estratégicas e reforçar a resiliência das suas cadeias de abastecimento, num contexto marcado pelo aumento das tensões comerciais e geopolíticas, nomeadamente com os Estados Unidos e a China, e por perturbações recorrentes no comércio mundial.
Leia Também: Chega avança com nova proposta para forçar CPI sobre Luís Neves




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário