O ano passado passou tão apressado que eu esqueci do aniversário de 50 anos da realização do festival Hollywood Rock, no verão de 1975, no estádio de General Severiano, à época a casa do Botafogo. Ideia do Nelson Motta, ou Nelsinho, já que era então um jovem jornalista de trinta anos que agitava a cena [...] O post Rock e sinais de fumaça apareceu primeiro em Tribuna do Norte .

Alex Medeiros Jornalista [Instagram @alexmedeiros1959]

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O ano passado passou tão apressado que eu esqueci do aniversário de 50 anos da realização do festival Hollywood Rock, no verão de 1975, no estádio de General Severiano, à época a casa do Botafogo. Ideia do Nelson Motta, ou Nelsinho, já que era então um jovem jornalista de trinta anos que agitava a cena carioca com notas em O Globo e o programa Sábado Som na TV.

Naquele verão, enquanto o país vivia entre o milagre econômico e o governo militar, o gramado do Estádio General Severiano, casa do Botafogo, virou terreno sagrado de um descuido coletivo. O festival iria ser no Estádio de Remo da Lagoa, que alegou uma série de compromissos já agendados.

Durante quatro sábados seguidos, 11, 18 e 25 de janeiro, e 1º de fevereiro, o Hollywood Rock atraiu uma média de dez mil jovens por dia, com a estrutura toda bancada pela Souza Cruz. Aliás, em Pindorama o cigarro já fez mais pela cultura do que todos os governos.

No campo onde brilharam os craques Heleno de Freitas e Garrincha, foi reunido o que o país tinha de pop e rock nacional. Obviamente que não era o Woodstock de 1969 e nem tínhamos a liberdade americana. Mas era uma versão tropical entre as tantas versões que Nova York exportou no planeta.

Aliás, aqui eu preciso acrescentar um toque de orgulho nativo e uma reparação histórica. Em solo nacional, a primeira onda do tsunami de rock da Vila Bethel não bateu no Rio de Janeiro e nem em Iacanga, mas em Natal, 2 anos antes.

Em 1973, a primeira geração de roqueiros e pintas de Natal promoveu o Festival do Sol, no gramado do Estádio Juvenal Lamartine, juntando aqui cantores e bandas locais e convidados de Recife, João Pessoa e Mossoró.Voltemos ao Hollywood Rock, que dividiu oficialmente com o Festival de Águas Claras, ambos de 1975, o pioneirismo da explosão de rock no país. Diz a lenda que a maior testemunha no campo do Glorioso foi o guitarrista Eric Clapton.

Foi um evento repleto de improviso, falhas, vigilância e teimosia. Coisas do mau e velho-jovem rock ‘n’ roll, com sua rebeldia que foi boa e suficiente para mudar o rumo e desviar o trem da história da nossa reles condição humana.

A abertura foi com Rita Lee, que chegou ao Rio com 18 figurantes de palco, meia-dúzia de brutamontes como seguranças e uma nova banda, além de uma onça e duas cobras que ela declarava que eram presentes de Alice Cooper.

A nova banda era o Tutti Frutti, que naquele mesmo ano participaria do primeiro LP a explodir em vendas e estabelecer um fator histórico de um trabalho de puro rock com as cores do Brasil e com a essência feminina.No segundo dia vieram Os Mutantes (já sem Rita Lee e em fase progressiva) e Veludo, banda criada em 1972 e referência do rock progressivo, com direito ao baterista do Yes, Patrick Moraz, participando de um show em São Paulo.

O terceiro sábado foi com O Peso, a banda cearense que começou como dupla em 1971 e virou quinteto no Sudeste; o Vímana, que tinha os quase adolescentes Lulu Santos, Lobão e Ritchie; e O Terço em seu melhor ano com a presença de Flávio Venturini.

O encerramento, em 1 de fevereiro, foi tão apoteótico quanto Rita na abertura. Teve Erasmo Carlos; os irmãos Celly e Tony Campello em ritmo de retomada das carreiras já encerradas; e fechou com um showzaço de Raul Seixas.

Enquanto os ventos de Woodstock ainda sopravam na América do Sul em 1975, os dias também se alteravam em Natal para a minha geração. Eu chegava em Candelária e me reunia na Esquina do Rock, a Loja Discol abria como point da moçada e foi um corre-corre danado e um tal de segurar a peteca e jogar a fumaça no ar. Belos dias.

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