Em Três Horas para Viver, Rodrigo Santoro vive vilão que fala português após ator sugerir mudanças no roteiro do longa que chega aos cinemas em outubro.

Por Felipe Fernandes, g1

29/10/2026 03h00 Atualizado 29/10/2026

Rodrigo Santoro estreia em 29 de outubro o filme "Três Horas para Viver". O ator brasileiro inicialmente achou seu personagem de vilão "protocolar e tradicional".

Para melhorar o papel, Santoro convenceu o diretor Scott Waugh a incluir falas em português. O longa acompanha a disputa por um órgão para transplante.

Com mais de 20 anos em Hollywood, o ator mantém o critério de se relacionar com as histórias. Ele destaca temas sociais em seus projetos recentes.

Rodrigo Santoro quis mudar vilão de 'Três Horas para Viver'

Quando leu pela primeira vez o roteiro de "Três Horas para Viver", Rodrigo Santoro não amou seu personagem. Achou que Damián Zaldívar era um retrato "protocolar e tradicional" dos vilões clássicos de filmes de ação.

Não satisfeito, o ator brasileiro conversou por duas semanas com o diretor Scott Waugh (“Os Mercenários 4”) por Zoom e o convenceu a fazer algumas mudanças, entre elas, a incluir o português em suas falas.

"Foi aí que nasceu a ideia de que, de repente, o pai do Damián era brasileiro", contou Rodrigo Santoro ao g1.

Rodrigo Santoro em cena de 'Três Horas para Viver'. — Foto: Divulgação

Rodado na Austrália, o longa acompanha Hank Malone (Alan Ritchson), uma espécie de entregador de elite responsável por transportar os mais variados tipos de encomenda. Em inglês, ele é um runner, termo que também dá nome ao filme em sua versão original.

A trama começa a se desenrolar quando Hank, um brutamonte do bem, é convocado para levar um fígado que pode salvar a vida de uma menininha de sete anos. O problema é que o órgão também é cobiçado por Damián, um violentíssimo chefe de cartel, que tem seus próprios motivos para tentar roubá-lo.

Hank conta com a ajuda do médico tagarela Ben Bishop, interpretado por Owen Wilson, de “Marley & Eu”. É ele quem o acompanha nessa peleja de tentar fazer o fígado chegar inteiro ao hospital e dentro do prazo. “Três Horas para Viver” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29).

'Sotaque de merda'

Rodrigo Santoro em cena de ‘Três Horas para Viver’. — Foto: Divulgação.

A ideia de fazer Damián falar português surgiu durante um ensaio. Santoro soltou um palavrão de improviso, o que chamou a atenção do diretor, que inicialmente pensou que o ator estivesse falando espanhol. Depois de entender o que havia acontecido, porém, ele embarcou na ideia.

A nacionalidade de Damián não fica clara durante o filme, mas ele passa a alternar falas em português e inglês.

Essa "brincadeirinha" com o idioma também aparece na trama como uma forma de provocação feita por Hank, que em determinada cena ironiza o “sotaque de merda” de Damián.

Rodrigo Santoro e Alan Ritchson em cena de ‘Três Horas para Viver’. — Foto: Reprodução

A fala abre espaço para outra leitura: a de que a provocação pudesse estar no roteiro justamente para sublinhar o preconceito contra latinos e imigrantes. Santoro discorda.