Houve um 'Silenzio Stampa', um Brasil falível e um pacto de não agressão entre Alemanha e Áustria que não agradou aos argelinos. O Mundial de 1982 foi o último a recorrer a duas fases de grupos.
Foi o Mundial da contradição. Espanha recebeu em 1982 uma das mais ricas gerações de talentos da história do futebol – Zico, Sócrates, Platini, Maradona, Rummenigge, Matthaus – e viu a Itália, que não tinha vencido um único jogo na primeira fase de grupos, sagrar-se campeã do mundo pela terceira vez. O torneio foi também o primeiro com 24 seleções, e o último a usar duas fases de grupos antes das meias-finais.
A primeira fase trouxe surpresas imediatas. A Argélia, estreante, bateu a Alemanha Ocidental por 2-1 — a primeira vitória de uma seleção africana sobre uma europeia num Mundial. A Hungria goleou El Salvador por 10-1 – a maior vitória de sempre na fase final de um Mundial. A Irlanda do Norte eliminou os anfitriões espanhóis do primeiro lugar do grupo. E a Itália passou à segunda fase sem vencer um jogo, graças apenas a um golo a mais do que Camarões – que também não perdeu nenhum encontro. O técnico Enzo Bearzot proibiu os seus jogadores de darem entrevistas e de lerem jornais, instituindo um Silenzio Stampa – uma espécie de silêncio mediático total, um blackout – para isolar o grupo das críticas da imprensa italiana, o que se tornaria prática corrente nos anos seguintes.
???? The final score was 10-1?#OTD in 1982, Hungary set the record for the highest score in a #FIFAWorldCup match! ????????⚽️ pic.twitter.com/6uisTOaRRM
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 15, 2024
A segunda fase sucedeu ao momento mais polémico da competição. No Estádio El Molinón, em Gijón, a Alemanha Ocidental e a Áustria entraram em campo a 25 de junho sabendo exatamente o que precisavam: uma vitória alemã por margem mínima classificava ambas e eliminava a Argélia. Hrubesch marcou ao minuto 10 – e durante os 80 minutos seguintes as duas seleções limitaram-se a circular a bola sem qualquer intenção de ataque. Foi nessa mesma segunda fase que se jogou o encontro mais marcante do torneio: no Sarriá, em Barcelona, o Brasil de Zico e Sócrates entrou a precisar apenas de um empate frente à Itália para chegar às meias-finais, com o favoritismo todo do seu lado. Paolo Rossi fez os três golos da vitória dos italianos diante do Brasil por 3-2.
???????? Paolo Rossi had his shooting boots on this day in 1982! ⚽️⚽️⚽️#FIFAWorldCup | #OTD pic.twitter.com/rttRfsJBPa
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) July 5, 2024
Nas meias-finais, a Itália bateu a Polónia com mais dois golos de Rossi. Do outro lado, a Alemanha Ocidental eliminou a França numa meia-final que ficou para a história por razões que foram além do futebol. Aos 57 minutos, o guarda-redes alemão Harald Schumacher saiu em velocidade da baliza e embateu violentamente com o francês Patrick Battiston, que ficou inconsciente no relvado com dois dentes partidos e uma lesão cervical. O árbitro não assinalou falta, não expulsou Schumacher – não mostrou sequer um cartão amarelo – e o jogo continuou. A França acabou por ser eliminada nas grandes penalidades por 5-4, num encontro que terminou 3-3 após prolongamento e que ficou marcado como o primeiro da história dos Mundiais a ser decidido desta forma. Na final do Bernabéu, a 11 de julho, a Itália venceu por 3-1 com golos de Rossi, Tardelli e Altobelli, confirmando uma das redenções mais improváveis da história dos Mundiais.
The Day a Sheikh Overruled a Referee. ????????????
During France vs. Kuwait (WC 1982), one of the most bizarre moments in football history took place:
???? The Whistle: Kuwaiti players stopped mid-play after hearing a whistle from the stands. ???? The Goal: France capitalized and scored.… pic.twitter.com/gpWp1OpcKP
— MD Sabzar Hossain (@MdSabzar93213) May 19, 2026



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