Segundo Rui, o Irã demonstrou capacidade militar, coesão política e força estratégica ao resistir à pressão dos Estados Unidos e de Israel

247 – O presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que o acordo envolvendo o Irã representou uma “derrota patente” do imperialismo e avaliou que seus efeitos políticos ainda poderão ser profundos na geopolítica mundial. A declaração foi feita em entrevista à TV 247, nesta sexta-feira, 19 de junho.

Na conversa, Rui também tratou da crise envolvendo o Banco Master, das denúncias que atingem o senador Jaques Wagner, da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, da condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF, da guerra na Ucrânia, da situação da Rede Globo diante da ascensão da CazéTV e do papel do sionismo na política brasileira.

Logo no início da análise internacional, Rui Costa Pimenta afirmou que o desfecho da crise envolvendo o Irã deve ser entendido como uma derrota dos Estados Unidos e de seus aliados. Para ele, apenas setores da imprensa alinhados ao imperialismo tentariam apresentar o episódio como derrota iraniana.

“A derrota é patente, né? Toda é uma unanimidade em geral, né? Só a imprensa muito vendida que tem a cara de pau de falar que o Irã foi derrotado”, disse.

Segundo Rui, o Irã demonstrou capacidade militar, coesão política e força estratégica ao resistir à pressão dos Estados Unidos e de Israel. Ele destacou especialmente o papel do Estreito de Ormuz como elemento central no equilíbrio de forças regional.

“O Irã mostrou que o estreito de Ormuz é uma coisa... o imperialismo não tem condição, né? Não tem condição de desalojar o Irã do Estreito de Ormuz e o Estreito de Ormuz é uma arma muito poderosa”, afirmou.

Para o dirigente do PCO, o resultado mostra que Teerã adquiriu capacidade de resistir em uma guerra assimétrica, apesar da diferença militar em relação aos Estados Unidos. “A diferença militar entre Irã e Estados Unidos é sideral, é enorme, né? Mas o Irã adquiriu uma capacidade que permite fazer frente numa guerra desigual”, avaliou.

Rui também apontou fissuras entre Estados Unidos e Israel. Ao comentar a postura do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ele disse que Washington teria enfrentado limites objetivos para aprofundar o confronto.

“O sionismo gostaria que o imperialismo fosse mais fundo contra o Irã, só que não é realista essa perspectiva”, declarou.

Na avaliação de Rui, Israel encontra limites quando enfrenta atores regionais mais fortes que países fragilizados do Oriente Médio. “O sionismo tá na realidade condenado, né? O sionismo era muito útil enquanto ele atacava países como ele faz com o Líbano agora, que é um país muito fraco militarmente”, disse.

Questionado sobre o papel do Paquistão nas negociações, Rui afirmou que há um deslocamento geopolítico em curso, com países da região se aproximando mais de Rússia, China e Irã. Segundo ele, esse movimento reflete a perda de terreno dos Estados Unidos em áreas estratégicas.

“O Paquistão ele tá se aproximando aí dos países que compõem os BRICS, né? BRICS não, porque a Índia tá nos BRICS também, mas tá se aproximando mais à Rússia, do Irã, da China”, afirmou.

Ele também mencionou a crise nos países árabes em razão do massacre em Gaza, que, segundo sua avaliação, tem produzido fermentação política em países como Arábia Saudita, Egito, Bahrein e outras nações do Golfo.

“Há uma crise também nos países árabes por causa da guerra, por causa do massacre sionista em Gaza. Isso daí não aparece na imprensa, mas é um fator muito importante”, disse.

Ao comentar a guerra entre Rússia e Ucrânia, Rui Costa Pimenta discordou da avaliação de que Kiev estaria demonstrando força com ataques recentes contra alvos russos. Para ele, a mudança de estratégia indicaria justamente fragilidade no campo militar convencional.

“O que a Ucrânia tá fazendo é uma demonstração de fraqueza, na realidade, não uma demonstração de força”, declarou.

Segundo Rui, a Ucrânia teria passado de uma guerra convencional para ações semelhantes a uma resposta guerrilheira, com ataques de drones contra alvos civis na Rússia. Ele afirmou que a expectativa de que Kiev pudesse enfrentar Moscou militarmente no Donbass estaria se esgotando.

“Aquela ilusão de que a Ucrânia ia fazer frente aos russos no terreno militar, no Donbass, ela tá se evaporando, né? Eles não aguentam mais”, disse.

Para o presidente do PCO, a estratégia ucraniana busca provocar crise interna na Rússia, mas ele afirmou não acreditar que esse objetivo seja alcançado. “Me parece que é muito mais pensamento positivo do que realidade”, afirmou.

Na entrevista, Rui também comentou o caso do professor Alysson Mascaro, exonerado da USP e alvo de processo judicial após denúncias. O dirigente do PCO afirmou ver perseguição política no episódio e criticou o fato de sanções administrativas terem ocorrido antes do desfecho judicial.