Ataque da Rússia contra Kiev deixa três mortos e 16 feridos poucas horas após o fim da visita de enviados de Trump.

Guerra no leste europeuRússia bombardeia Kiev após saída de enviados de Trump e mata três pessoasPor John Lucas

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleServiço de emergência da Ucrânia atuando em área atingida pela Rússia em Kiev nesta terça (8). (Foto: MAXYM MARUSENKO/EFE/EPA)Ouça este conteúdo

A Rússia lançou um forte ataque contra Kiev na madrugada desta terça-feira (8), poucas horas depois do fim da pausa nos bombardeios adotada durante a visita dos enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Ucrânia e à Rússia. Ao menos três pessoas morreram e 16 ficaram feridas, segundo autoridades ucranianas.

O bombardeio atingiu diferentes pontos da capital ucraniana com mísseis balísticos, de cruzeiro e antinavio, além de drones de ataque. Segundo autoridades locais, pelo menos 14 prédios residenciais, uma escola, uma clínica, um alojamento e armazéns foram danificados.

Os ataques ocorreram depois que Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner, genro e assessor do presidente americano, deixaram Kiev no domingo (6) após ter reuniões com o presidente Volodymyr Zelensky. Antes de chegar à Ucrânia, os dois também haviam se reunido por mais de três horas com o ditador russo, Vladimir Putin, em Moscou.

Durante as visitas dos americanos, Rússia e Ucrânia haviam suspendido ataques contra as capitais dos dois países por três dias, numa medida destinada a garantir a segurança da delegação dos Estados Unidos. A pausa terminou nesta segunda-feira (7).

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, relacionou diretamente a retomada dos bombardeios à saída dos enviados de Trump.

“O momento em que os enviados de paz do presidente dos EUA partiram, Putin lançou outro ataque massivo e horrível contra Kiev”, afirmou. Sybiha pediu ainda que os aliados ampliem a pressão sobre Moscou e enviem mais interceptadores de mísseis à Ucrânia.

Zelensky afirmou que Moscou realizou um ataque “complexo” com diferentes tipos de armas para dificultar a defesa aérea ucraniana. Segundo ele, os mísseis balísticos russos continuam sendo particularmente difíceis de interceptar.

O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, afirmou que suas forças atingiram alvos militares e logísticos em Kiev e na região ao redor da capital, além de instalações na cidade portuária de Chornomorsk. Moscou nega atacar deliberadamente civis.

Segundo o governo ucraniano, oito regiões foram atacadas durante a madrugada. Na região de Sumy, quase 100 pessoas precisaram ser retiradas depois que drones russos atingiram um trem, enquanto um ataque nos arredores de Odessa deixou três feridos.

A retomada dos ataques ocorre justamente quando o governo Trump tenta reabrir uma frente de negociação para encerrar a guerra. Witkoff e Kushner disseram após as reuniões do fim de semana que houve discussões “significativas” e que estavam encorajados com as conversas, embora nenhum avanço concreto tenha sido anunciado.

Nesta terça-feira, Zelensky afirmou que os enviados americanos apresentaram “algumas ideias muito boas” para tentar destravar as negociações. O presidente ucraniano disse que representantes dos Estados Unidos, da Ucrânia e de países europeus devem voltar a se reunir antes de uma possível nova rodada trilateral.

O presidente ucraniano também afirmou que pretende se reunir com Trump ainda neste mês para discutir, entre outros assuntos, um novo pacote de defesa aérea para o inverno.

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