Governadora do Distrito Federal defende candidatura de Michelle ao Senado e ‘unidade urgente’ de campanha do PL à Presidência para não perder eleitorado feminino

BRASÍLIA — A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro do PL demonstraria uma divisão da direita e que agora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisa construir uma unidade urgente para conseguir o voto feminino nas eleições presidenciais.

Como a Coluna do Estadão revelou, Celina e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) entraram em campo para convencer Michelle a não se desfiliar do PL após os atritos com o enteado e pré-candidato do partido à Presidência Flávio Bolsonaro.

A ex-primeira-dama decidiu deixar a presidência do PL Mulher após a crise com Flávio. Ela é pré-candidata ao Senado e considerada uma das principais puxadoras de voto da direita no Distrito Federal, inclusive para a campanha de Celina à reeleição como governadora.

“Eu como mulher não posso ver um quadro como Michelle Bolsonaro, que construiu uma história com as mulheres do PL no Brasil, falar em desfiliação e a gente não ter um diálogo sobre isso”, afirmou a governadora ao Estadão, defendendo a manutenção de Michelle como pré-candidato ao Senado. “Ela já não é mais só a esposa do Bolsonaro. O trabalho que ela fez a habitou a ser um quadro político.”

A conversa entre as aliadas durou mais de três horas para discutir a crise e o futuro político da ex-primeira-dama. “Uma desfiliação dela poderia parecer muitas coisas, uma divisão do grupo, um abandono, mesmo sendo que a vontade dela era só realmente cuidar do marido”, disse a governadora.

No Distrito Federal, políticos avaliam que a saída de Michelle da campanha provocaria uma mudança no xadrez político, aumentando as chances de outros pré-candidatos da direita e da esquerda em um ano em que os eleitores elegerão dois representantes para o Senado. No âmbito nacional, a participação da ex-primeira-dama é vista como essencial para Flávio atrair votos do eleitorado feminino.

“A construção da campanha, inclusive do próprio Flávio, tem que ser uma construção de unidade. É preciso buscar essa unidade. Essa unidade é urgente, não pode ser menosprezada, negligenciada. É um voto muito frágil, desde a campanha passada, o voto das mulheres”, disse a governadora do Distrito Federal.

Apesar dos atritos de Michelle com Flávio e do envolvimento dele com o Caso Master, Celina afirmou que o senador é seu pré-candidato à Presidência. Em abril, Celina chegou a dizer que Flávio teria que pedir perdão a Michelle após discussões entre enteado e madrasta. “Nosso candidato é o Flávio. Aqui o PL me ajuda, o PL está comigo na nossa aliança e o candidato do PL é o Flávio.”