Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL Após se reunir com Donald Trump para pedir intervenção nas eleições brasileiras e, consequentemente, ver os EUA erguerem taxas para os nossos produtos e ameaçar o Pix, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai voltar a Was…

Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL

Após se reunir com Donald Trump para pedir intervenção nas eleições brasileiras e, consequentemente, ver os EUA erguerem taxas para os nossos produtos e ameaçar o Pix, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai voltar a Washington para falar na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos contra o tarifaço, em audiência pública marcada para 6 de julho. É como o sujeito que quebra a vidraça de uma loja e depois se vende como o único capaz de evitar que novas depredações aconteçam.

Partindo do pressuposto de que os brasileiros são mal-informados, seus aliados vendem a ideia de que, como o governo federal não deve participar dessa audiência, ele não está fazendo nada contra o tarifaço. O que não contam é que as reuniões bilaterais continuam acontecendo em busca de uma forma de revertê-lo. Da mesma forma, o Itamaraty vem respondendo, com documentos e provas, às alegações falsas dos EUA.

A questão é que, por trás do embate comercial, está o interesse de setores do trumpismo, como do secretário de Estado Marco Rubio, em ajudar Flávio Bolsonaro a ganhar a eleição. Ou seja, é murro em ponta de faca.

Pegou muito mal para o senador o ataque econômico ao Brasil. Não que ele tenha pedido uma pancada no Pix, porque não é suicida. A questão é que ele não controla a forma como os EUA vão tentar implementar o seu pedido de apoio nas eleições. O tiro do aliado foi tão grande que ele próprio acabou alvejado.

E não foi só isso que pegou mal. Se Donald Trump tivesse elogiado Flávio Bolsonaro no dia em que o senador o visitou na Casa Branca, teria sido a glória. Mas o presidente dos EUA resolveu exaltar o filho de Jair nas redes no momento em que ele era acusado de ajudar o Tio Sam no tarifaço. Com isso, Trump acabou passando a imagem de estar saindo em socorro de um aliado que o ajudou. Ou seja, emitiu um atestado de traição.

Agora, vai aos EUA na torcida para que, após sua fala, o tarifaço seja revertido. Daí, ele, que atirou a pedra na vitrine, vai se vender como o que salvou a loja da violência.

Certos vícios são difíceis de largar.