Levantamento feito pelo banco aponta que setor deve ter pico de investimentos em 2027, com aportes de R$ 44,2 bilhões
Compartilhar matériaO saneamento demandará R$ 1,2 trilhão para a universalização completa dos serviços de água e esgoto, segundo estudo realizado pelo Itaú BBA em parceria com a Inter.B Consultoria.
O levantamento traçou um panorama da infraestrutura de saneamento no país, mapeando os investimentos já contratados, as necessidades futuras de capital e os impactos macroeconômicos associados à expansão dos serviços.
Como mostrou a CNN, o setor de saneamento deve atingir um pico de aportes em 2027, com R$ 44,2 bilhões previstos para o próximo ano.
Em entrevista à CNN, Rogério Yamashita, responsável pela área de infraestrutura em project finance do Itaú BBA, afirma que o Brasil concentra as maiores oportunidades de investimento no setor.
“Tem muita coisa para fazer por aqui”, diz o especialista.
De acordo com Yamashita, apesar dos pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos no setor, motivados por questões que incluem diferenças nos ativos antes e depois das concessões, tem sido observada uma boa evolução das tratativas com as agências reguladoras. O executivo afirma também que, em contratos de longo prazo, é normal haver ajustes.
Ele destaca ainda que, após as grandes concessões realizadas nas regiões mais desenvolvidas do país, como Sul e Sudeste, os novos projetos no Norte e no Nordeste — regiões mais carentes de cobertura de redes de água e esgoto — são mais complexos.
Até o momento, o pipeline de projetos contratados e anunciados prevê R$ 201,5 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, segundo a instituição.
Para Eduardo Corsetti, codiretor da área de infraestrutura e energia do banco, o setor atingiu um grau de maturidade que permite uma discussão mais qualificada sobre financiamento e planejamento de longo prazo.
Dessa forma, é possível dimensionar com maior precisão os desafios, a trajetória dos investimentos e os caminhos necessários para a universalização dos serviços.
Ainda segundo Corsetti, o avanço observado nos últimos anos mostra que o marco legal foi capaz de “criar um ambiente mais favorável aos investimentos e posicionar o setor em uma nova etapa de desenvolvimento”.
Desde a aprovação do marco legal, foram realizados 70 leilões, que contrataram R$ 227,5 bilhões em investimentos, segundo dados da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento).
A entidade calcula que ainda há mais de 30 projetos em elaboração no país, envolvendo cerca de 640 municípios e investimentos de R$ 32 bilhões.
O próximo leilão está marcado para 29 de setembro, na B3, em São Paulo, e contempla 40 dos 52 municípios de Rondônia.
A concessão prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos e chama a atenção do mercado. O vencedor será definido por uma combinação entre o maior desconto na tarifa para os consumidores e o maior valor de outorga fixa oferecido à administração estadual.
Para a colunista da CNN e sócia-fundadora da ICO Consultoria, Isadora Cohen, o projeto combina uma modelagem mais madura, menor risco regulatório e potencial para atrair novos operadores.
A modelagem estabelece uma concessão integral, e não apenas uma PPP de esgoto, de modo que a futura concessionária administrará todos os serviços de água e esgoto, além de realizar a cobrança das tarifas.
Em leilões recentes, como os realizados em Goiás e no Ceará, houve preferência por uma PPP (Parceria Público-Privada) que deixa a captação e o tratamento de água fora do contrato. Esses projetos despertaram pouco interesse do mercado.
De acordo com a colunista, ao transferir todos os serviços de água e esgoto à iniciativa privada, o projeto reduz a dependência da estatal Caerd (Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia), melhora a distribuição dos riscos e amplia a segurança jurídica e financeira da concessão.
O banco estima ainda que seriam necessários investimentos anuais de R$ 95,2 bilhões para alcançar a universalização até 2033. A necessidade desse volume de recursos representa, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para novos operadores, investidores e estruturas de financiamento.




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