Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL), no último debate antes do primeiro turno - Reprodução/TV Jornal No terceiro bloco do último debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco antes do primeiro turno das eleições deste domingo (5), Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL), debateram sobre as políticas de saneamento e bastecimento de água em Pernambuco. Os postulantes confrontaram ideias na manhã desta quinta-feira (1º), em encontro promovido pela TV Jornal.  O assunto dos supostos gabinetes do ódio e o combate às fake news também estiveram em discussão, quando os candidatos detalharam algumas propostas para combater a desinformação nas redes sociais.

Abastecimento e Saneamento O primeiro sorteado para perguntar foi João Campos, que escolheu Raquel Lyra para responder sua pergunta. O candidato questionou a governadora sobre o reajuste na conta de água previsto no contrato de concessão da Compesa. "É o reajuste após a eleição. Eu queria perguntar novamente, por que esse reajuste após a eleição da conta de água? E eu queria que você pudesse explicar sobre um desconto que você falou que teria um desconto. Explicar o aumento e explicar o desconto", indagou.

"Excelente oportunidade para falar com você que tá em casa, que tá no trabalho, que sofre com falta d'água ou com esgoto na porta. Eu podia ter feito como os outros fizeram, mas eu tive coragem de enfrentar, enfrentar o problema da falta d'água. Criamos uma secretaria de recursos hídricos antes de fazer a concessão da Compesa, que eu vou explicar já já, a gente lançou o programa Águas de Pernambuco. E é com esse programa, também com parceria do pacto do presidente Lula, mas com muito recurso do estado, perto de operações de crédito, a gente tá fazendo muita obra", respondeu Raquel.

"A gente tá fazendo a obra da adutora do Agreste. A gente pegou com duas cidades contempladas com água com a adutora do Agreste, já tá em 26 e nós vamos chegar a 45. A gente vai fazer as obras e já estamos fazendo a adutora de Negreiros, matando a sede do povo do Araripe pernambucano. Está em obras. E a estação de tratamento de água de já está com a capacidade duplicada a receber a que que é transportada pela adutora", detalhou Raquel.

"E para que a gente garanta a água na casa do povo, a todo mundo, eu precisava de R$ 30 bilhões de reais em Pernambuco. Olha, que a média do governo anterior de investimento por ano em tudo era de R$ 1,5 bilhão. A gente levou levantou isso, está em  R$ 5 bi, mas vamos chegar a R$ 30 bi. Não dá para que as pessoas fiquem carregando lata d'água na cabeça. Eu venho de uma terra que não tem água e eu sei o custo disso. Nunca carreguei lata d'água na cabeça, mas eu conheço quem carrega. É por isso que a gente fez a concessão da Compesa", explicou.

"A concessão dos serviços parciais, a Compesa permanece pública e a iniciativa privada, empresas, vão botar 21 bilhões de reais em obras em Pernambuco. Aliás, a gente já começou a antecipar essas obras. E o que eu quero dizer é que tá previsto lá um reajuste inflacionário, sim, e que vai acontecer por conta contratual, não é porque eu escolhi, em novembro, depois das eleições. E ela é o reajuste inflacionário, como se faz com o IPTU do Recife, como se faz com a conta de energia. E o que é que a gente fez no leilão da Compesa? Que as empresas apresentassem desconto", completou Raquel.

"Veja, ela não falou do desconto. E o aumento é de 15%. O desconto é de 5%. E o mês é novembro, logo depois da eleição, vocês lembram de quê? É o Black Friday. Aumenta o valor e dá o desconto. Então, dá 5% de desconto e 15% de aumento, vai ter 10% de aumento de conta em novembro, logo após a eleição. Isso é grave", apontou João Campos.

"Isso foi colocado certamente de propósito para depois da eleição. Mas se preparem, infelizmente a conta vai aumentar. É por isso que a gente vai lançar o sem água, sem conta. Não adianta ter o cano e ter a conta chegando e a água não chega, tá? Quem tá na tarifa social e não receber água, vai ter a conta zerada. E vamos fazer 94 grandes obras de produção de água das adutoras para garantir que a água chegue na casa das pessoas", afirmou o candidato do PSB. "O reajuste é o reajuste da inflação e todo o ano acontece. A agência Reguladora de Pernambuco [Arpe] é que organiza isso junto com a Compesa e também acontece em todos os contratos do estado, dos municípios. É preciso ter responsabilidade e maturidade para falar as coisas. O povo não quer não pagar a conta porque não tem água, o povo quer a água na torneira. E é isso que eu vou fazer", rebateu Raquel. "Ele disse que vai bancar os hospitais construindo com a obra com o dinheiro da refinaria. A obra demora tanto e não tem arrecadação suficiente nem para manter, construir nem para manter. É impressionante, não dá para trabalhar com fake news", disparou.

Concessão da Compesa Raquel Lyra mudou o assunto para assistência social , em sua pergunta a Ivan Moraes. "Sei que você tem uma pauta muito forte nesse sentido. Nós vamos ampliar o Mãe de Pernambuco de 100.000 mulheres para 150.000 mulheres. Vamos dobrar o programa Morar Bem Pernambuco, que chegou a 50.000 famílias, nós vamos chegar a mais 50.000 famílias. E garantir água em cada lugar de Pernambuco. O senhor concorda que a gente precisa ter água como direito e não como favor?", perguntou a candidata.

O candidato do PSOL, no entanto, preferiu retomar o tema da concessão da Compesa. "Raquel Lira, vou responder em 10 segundos. Eu disse em diversos debates que água é um direito e por isso eu sou tão crítico à privatização da Compesa. Essa pergunta até já surgiu hoje. Eu acredito que foi ruim a gente conceder parte do serviço da Compesa, que é um direito, a empresas internacionais, alguns, inclusive alguns com suspeitas de inidoneidade, essa palavra tão difícil, mas que pode prejudicar tanta gente", disse Ivan.

"Uma das empresas que foi concessionária aqui agora é é uma das adquirentes do norte para distribuir água para todo mundo, é a BRK, é que foi contratada por governos anteriores para o saneamento básico aqui na região metropolitana do Recife, com promessa de chegar até Goiana com pelo menos 90% de alcance, ou seja, 90% das casas da região metropolitana do Recife até Goiana deveriam ter saneamento básico completo até o ano passado", apontou o candidato do PSOL.

"Sou crítico, de forma muito respeitosa, mas acho que foi um erro, foi um engano. Não há nem a garantia de que esse recurso que foi pago pelo leilão vá ser investido na própria Compesa ou mesmo em infraestrutura. O recurso foi para o cofre geral do estado, você fez uma benesse interessante para os prefeitos que eram seus aliados, distribuindo cheques até que tirou foto, mostrando o dinheiro chegando nas prefeituras, sem nenhuma garantia sobre a utilização desse recurso para a infraestrutura ou para qualquer outra coisa. Esse dinheiro foi como se fosse um presente, é um presente, é uma coisa que você dá para uso discricionário, a prefeitura recebe, coloca no seu caixa geral e utiliza da forma que deseja. Pode resolver, fazer com que esse recurso seja bem utilizado, mas não há absolutamente nenhuma garantia", ponderou Ivan.

"Por falar em garantia, hoje você vai olhar para as pessoas e dizer que garante que a conta de água não vai aumentar?", indagou o candidato. "Olha, Ivan, governar exige maturidade e exige experiência. Vai ter reajuste sim na conta da Compesa, vai ter reajuste inflacionário. A conta da Compesa, como a conta de IPTU, de ISS, de ICMS, das contas permanentes, elas vão ser reajustadas. Eu não posso ser irresponsável", afirmou Raquel.  "Preciso dizer uma coisa para vocês, com todo respeito que eu te tenho, a gente quando fez a concessão da Compesa, a gente criou um fundo de universalização. Todo esse dinheiro foi para este fundo e já está sendo usado para a universalização da água, faz parte do dinheiro dos R$ 30 bilhões que a gente precisa para universalizar saneamento. A gente está fazendo saneamento em Setúbal, um saneamento em Prazeres, saneamento na Imbiribeira, saneamento em Porto de Galinhas, tudo isso com recursos do governo de Pernambuco, com obra da BRK. E é importante dizer que as empresas, embora possa ter aí alguma discussão fora do Brasil, aqui dentro não tem nenhuma proibição para contratar. E foi certamente com correção contratado. Eu tenho responsabilidade com isso e vou garantir a universalização para todos", respondeu a candidata.

"Sabe o que é que, governadora? Onde houve privatização da água no mundo, não deu certo. Eu acho que um recurso hídrico importante, é um recurso que traz vida, é um recurso que não pode ser entregue na mão do mercado. A própria BRK, em Palmas, deixou um bairro com mais de 20 dias sem água. E ela até pagou uma multa por isso. É a mesma BRK que foi contratada em 2013 com a promessa de universalizar o saneamento básico na região metropolitana, com a promessa de chegar até Goiana, universalizar, isso é todo mundo. E nós não chegamos nem 50%", afirmou o candidato do PSOL. "São empresas sobre as quais não há nenhuma confiança de que vão fazer um serviço que seja público. A Compesa é superavitária, a Compesa chega a lucrar por ano mais de R$ 200 milhões de reais. Como o estado de Pernambuco está saneado, a gente poderia ter feito um programa de curto, médio e longo prazo para adquirir empréstimos que podem ser muito importantes e essa empresa poder a partir de recurso próprio fazer com que ela avance. Hoje quem trabalha na Compesa já tá muita gente sendo demitido, os prédios estão sendo ocupados, tá uma tragédia", criticou Ivan.