Terminou a carreira há 10 anos, foi preso e venceu um campeonato na prisão e agora quer voltar a marcar nos relvados italianos. E o primeiro dia de aulas da filha... com o pai na sala de imprensa.

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Três toques de sexta-feira com o Carlos Pedro Consquisto. Carlos, chegaste à sexta-feira. É verdade. Bom dia. O Carlos estava ali fora do estúdio agora enquanto nós estávamos aqui. Estava a fazer-te sinais. Não, estava a fazer o aquecimento. A fazer alongamentos ao fundo, ao longo da linha lateral. E tu estavas também a dar dicas, não é? A fazer: "Como é que costumas fazer?" Agora as pernas. E tu sentado. Estavas a fazer isso e tu sentado. Claro. Eu hoje quero falar-vos de ténis, ou melhor, não propriamente de ténis, mas do mundo do ténis. Infelizmente, não vos venho falar de Jaime Faria ou Nuno Borges, porque já foram eliminados do torneio de Cincinnati. Ainda assim, ficam registos históricos dos dois, o que é sempre bom para o nosso ténis. Mas queria falar-vos de Nick Kyrgios, um dos tenistas mais talentosos e ao mesmo tempo mais controversos do mundo, que foi suspenso provisoriamente por testar positivo para cocaína. Acusou doping. O próprio atleta confirmou a suspensão numa publicação nas redes sociais, pediu desculpa aos fãs, à família e aos patrocinadores, obviamente, e acabou por justificar esta situação com o peso emocional e físico das lesões que tem sofrido. E de facto, nos últimos tempos, ou esta época, só jogou quatro singles, o que é muito pouco. Ele assume o erro, tanto que até à data não recorreu da decisão, nem é provável que o faça. Tudo bem, solidariedade com o Kyrgios, mas a internet não perdoa. E então foi recuperar as declarações do grego no ano passado, depois de conhecida uma suspensão também por doping, não por cocaína, mas também por doping, do italiano Jannik Sinner, que é, se não me engano, o número um do mundo atualmente. À frente do Alcaraz. Sinner terá ingerido uma substância proibida através de um spray de primeiros socorros. Lembro-me dessa história. Ficou suspenso por três meses. Nessa altura, Kyrgios foi muito crítico de Sinner. Sempre que tinha a possibilidade, atirava essa situação à cara de Sinner, sobretudo pela indignação de uma suspensão muito curta, no entender do grego. Queria mais do que três meses. Foram três meses, mas para Kyrgios deviam ter sido dois anos. Ele disse coisas como: "É um dia triste para o ténis, a justiça no ténis não existe". Foram algumas das expressões utilizadas pelo grego. Agora, está tudo a cair sobre ele, não é? Inclusive um story antigo no Instagram em que um fã fez uma pergunta sobre Sinner a Kyrgios. A pergunta era sobre se havia a possibilidade de ele fazer dupla com Jannik Sinner alguma vez. Eis que Kyrgios responde: "I only play with clean players". Eu só jogo com jogadores limpos. Bem, o carma acabou por atacar. Sinner não reagiu a este caso, até ver, não entendi o fazer. Provavelmente nem é o estilo dele fazer. Exatamente, acho que não está para aí muito virado, mas Simona Halep, antiga tenista romena que também foi suspensa por doping em 2023 e criticada por Kyrgios, reagiu. O grego chegou a apelidar Halep de batata, enquanto a tenista cumpria este castigo. Não percebo muito bem este insulto, mas pronto, batata. Agora os papéis inverteram-se. Após a confissão de Kyrgios, Halep recorreu às redes sociais para deixar várias mensagens. E chamou-o cebola. Não. Não sei, utilizou outro mecanismo para se vingar, digamos assim. Partilhou uma fotografia de uma garrafa de Coca-Cola e um cacho de bananas, numa clara provocação ao australiano. Mais tarde escreveu: "Nunca ataques alguém quando está embaixo. A vida tem uma forma estranha de trocar as posições e uma forma ainda mais estranha de revelar a diferença entre um acidente e uma escolha". E acho que aqui foi durinha. O carma, mais uma vez. Vamos seguir com uma curiosidade que aconteceu há pouco tempo. Quem nunca recebeu uma chamada numa altura menos oportuna? Acontece. Normalmente é sempre assim. É nos piores momentos. Aliás, até pode acontecer aqui no estúdio, não é? Sim. Esquecermo-nos de meter o telemóvel em silêncio. E aconteceu recentemente ao treinador Ian Catrou, escocês que na temporada passada orientou o Estrelo Praia. Ficou conhecido por ser um treinador de futebol positivo, signifique isso o que significar, muito simpático, mas sobretudo pelo seu português de muita qualidade, apesar de ser escocês. Entretanto, saiu de Portugal, foi para França, está a treinar o Saint-Étienne, para já duas vitórias em dois jogos, tudo muito bem. Saiu de Portugal, mas não deixou o português aqui. E recentemente foi surpreendido por uma chamada numa conferência de imprensa. Vamos ouvir essa chamada. Olá, jornalistas. Diz olá. Vou te ligar de volta, ok? Está bem? I'm still in a press conference. Ok, sorry. Ok, love you muito. Tchau. Bye. Tchau, bye. It's her first day at school, so Ove o muito. E Ancelotti estava a meio da conferência de imprensa, sentiu o telemóvel a vibrar ou a tocar. Nem foi no bolso, pareceu-me até no chão. Ele baixou-se muito para ir buscar o telemóvel e viu que era uma chamada da filha ou da mulher e atendeu. Fica este momento curioso no dia em que a menina teve o seu primeiro dia de aulas. Não estava o pai presente. Mas falou com ela.

É daqueles momentos que não podes passar.

Eu não sei muito bem o que é isso. Acho que vibrar dá para saber. Mas imagino. Não é certo se a filha está em França, em Portugal ou na Escócia, mas pelo menos parece que fala português com a filha. Um momento descontraído a marcar esta conferência.

E já agora, além desse momento, isto para quem é pai e mãe, são aqueles telefonemas sempre que nós queremos logo perceber o que se passa quando os filhos não respondem.

Pela conversa que tem com a mulher, que também estava na chamada, obviamente, percebe-se que a mulher sabia que ele estava na conferência de imprensa.

Mas era aquele momento ou não era.

Exato. E esta é para quem tem saudades de ver o Ronaldinho Gaúcho jogar futebol. Não sei se eu vou. Paulo, traz-nos um aperto.

Oh Carlos Pedro. Disseram que bateram aquelas saudades.

Agora sim, agora vai deprimido de férias, o Paulo. É que já passam 10 anos depois da reforma. Achas que nós não nos lembramos?

O Ronaldinho Gaúcho.

Cada ano é um sofrimento.

E se o churrasco é gaúcho também.

É um dia para festejar. É que 10 anos depois da reforma, o brasileiro chegou ontem a Itália para assinar pelo Ravenna, da terceira divisão do futebol italiano. Não é? 46 anos. A informação de que Ronaldinho seria reforço desta equipa já foi avançada há mais de um mês pela Sky Sports. Inicialmente, a notícia dava conta de que era apenas um jogo de exibição, mas agora sabe-se que vai, pelo menos, também ser acionista deste clube. E vai, de facto, fazer pelo menos alguns minutos, porque o objetivo é marcar o último gol oficial da carreira. No entanto, a ideia é que a sua presença também ajude na divulgação do projeto do clube e na aproximação com os adeptos. Mas 10 anos depois do último jogo oficial, em setembro de 2015, Ronaldinho vai voltar aos relvados, vai voltar a calçar as chuteiras para tentar fazer um gol. E na semana passada falámos do documentário na Netflix do José Mourinho. Está lá também um do Ronaldinho e é maravilhoso. Também dá para perceber a dimensão do brasileiro. Fala, por exemplo, da altura em que ele ficou preso com o irmão no Paraguai durante cinco meses por falsificação de documentos e teve de pagar 170 mil euros de fiança para sair, mas não saiu da cadeia sem antes ser campeão de um torneio de futebol lá da prisão. E ele conta que até nem jogou tão bem como costuma jogar, jogou ali a meio gás. Ainda assim foi campeão. Porque tinha medo. Jogou a meio gás porque tinha medo de enfraquecer os rivais. Não sei se marcou nesse jogo, mas fica registado o desejo de Ronaldinho marcar o último gol oficial da carreira já com 46 anos. Ainda assim, não será o jogador mais velho de sempre a marcar um gol oficial, porque esse estatuto pertence a um jogador que já cá esteve, na Oliveirense, em Portugal, Kazuo Miura, de 59 anos, e que marcou esta semana dois gols de pênalti e tornou-se o jogador mais velho de sempre a marcar um gol na história da mais antiga competição de taças do Japão, a Taça do Imperador, que vai em 106 edições. Já há muito tempo. Eles venceram por 7 a 0. Ele jogou 90 minutos. Com 56 anos, jogou 90 minutos.

Põe os olhos nisto, Paulo. E marcou dois gols. Eu tenho 25 e não consigo jogar 90 minutos num jogo de futebol. Ele estreou-se a nível sénior, imagine-se, em 1986 pelo Santos do Brasil. Desde aí, 42 épocas como profissional. Brasil, Itália, Croácia, Austrália e Portugal. Que exemplo. Longa vida e longa carreira. É o que te espera, Carlos. Esperemos que sim. Daqui a 20 anos estamos a falar sobre ti. Bom fim de semana, Carlos. Bom fim de semana.