De interino a campeão do mundo, treinador de 58 anos assumiu em 2018 sob forte pressão e hoje é considerado por muitos o maior técnico da história da seleção argentina
MIAMI - A sofrida vitória por 3 a 2 sobre Cabo Verde com gols na prorrogação que colocou a Argentina nas oitavas de final da Copa do Mundo foi a centésima partida de Lionel Scaloni no comando da atual campeã mundial.
Desconhecido de muitos à época, Scaloni aceitou o emprego que ninguém quis em 2018, sacou coelhos da cartola quando foi preciso, deixou a equipe invicta por 36 jogos e levou a Argentina ao topo do mundo com a conquista da Copa de 2022 no Catar. Também ganhou duas edições da Copa América (2021 e 2024) e uma vez a Finalíssima (2022). É considerado por muitos argentinos o maior treinador da história da seleção.
Natural da pequena Pujato, a 35km de Rosário, o treinador foi auxiliar de Jorge Sampaoli no Sevilla e na seleção da Argentina. O ex-lateral e volante, cujas principais passagens foram por La Coruña, da Espanha, e Lazio, da Itália, substituiu o chefe depois do fracasso na Copa da Rússia.
Argentinos fazem bandeiraço e lotam ruas, parque e praia de Miami
00:58Era um prêmio para quem jamais tinha treinado clube nenhum, quanto mais uma seleção. Quase todos o consideravam um tapa-buraco à época. Era esperado que um nome de peso assumisse e o auxiliar retomasse seu posto. Mas ninguém quis.
Diego Simeone, Marcelo Gallardo e Mauricio Pochettino recusaram o convite da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Nenhum deles entendia ser vantajoso trocar seus clubes pela seleção em decorrência da desastrosa gestão da AFA.
Scaloni foi ficando, ficando até que foi efetivado no fim de 2018. Aceitou o desafio porque tinha pouco a perder e muito a ganhar. A desconfiança da imprensa e dos torcedores sumiu à medida que ele conseguiu encaixar os astros e fazer o time jogar para Lionel Messi, que se tornou, com ele, o maior artilheiro da história das Copas - 20 gols, por enquanto.
Com o treinador, de interino no início às glórias, a seleção ganhou até apelido. É a “Scaloneta”, epíteto carinhoso que simboliza alguns dos atributos dessa seleção: união, personalidade, e eficiência.
Mais do que isso, Scaloni foi importante para a Argentina preservar sua identidade futebolística, recusando-se a copiar os padrões táticos empurrados pelos europeus, geralmente com atacantes rápidos pelas pontas, e deu mais protagonismo aos meio-campistas.
Recentemente, o treinador afirmou que a identidade da seleção albiceleste é inegociável e está profundamente enraizada no jogo coletivo, com foco na posse de bola, conexões entre os jogadores e flexibilidade tática.
Estamos preparados para tudo. Às vezes é preciso sofrer, colocar-se à prova.
Lionel Scaloni, técnico da Argentina
“Quando você joga com garra, como eles fizeram... É isso que uma seleção nacional tem. É algo que nem sempre se vê em um clube, e compensa bastante a falta de resistência.
O jovem treinador de 48 anos considera marcante a estatística por si só, e também pelas circunstâncias da partida em que alcançou o centésimo jogo no comando da seleção tricampeã do mundo. Em Miami, os argentinos levaram sufoco dos cabo-verdianos e só conseguiram o triunfo na prorrogação.
“Foi um jogo 100 que me marcou muito. Por ser em um Mundial, em uma partida em que se passou tanta coisa”, afirmou. “É um jogo que vai me ajudar como treinador. Ganhando, ainda melhor. Se tivesse perdido, seria uma estatística triste”.


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