Talvez por isso sua literatura nunca tenha abandonado completamente Porto Alegre. Mesmo quando atravessa séculos de diáspora judaica, messianismos ou lendas talmúdicas, permanece ancorada na esquina, na vizinhança, na padaria, na sala de espera de um consultório. Se antes partia da imaginação para comentar a realidade, agora fazia o caminho oposto: tomava um fato banal publicado na imprensa e o empurrava alguns centímetros além do plausível.
Mesmo quando escrevia um romance, parecia haver dentro de Moacyr Scliar umcontistaorganizando a respiração da narrativa, aparando excessos, desconfiando da grandiloquência e conduzindo tudo para aquel
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