Sessão termina sem resposta sobre Moraes; oposição cobra Alcolumbre e reforma do Judiciário, e crise já ocupa campanha de Flávio Bolsonaro
No Senado, a temperatura segue em ebulição. O julgamento convocado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes terminou nesta terça-feira (15/9) sem uma definição e deu novo combustível à mobilização de parlamentares contra a Corte e à cobrança sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O ministro Flávio Dino pediu vista durante a discussão sobre uma questão de ordem que definiria se os casos envolvendo Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente.
O Supremo encerrou a sessão sem chegar ao mérito sobre uma eventual investigação contra Moraes. Antes da interrupção, o placar estava em 4 a 3 contra a reunião dos processos.
A sessão também expôs o racha entre os ministros. Moraes chamou a investigação de “fraudulenta” e fez críticas à atuação de Mendonça.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Gilmar Mendes apontou “viés político-eleitoral” na condução do caso, enquanto Mendonça rebateu as acusações durante um dos momentos de maior tensão do julgamento.
No Senado, a falta de um desfecho não esfriou a reação. Senadores críticos a Alcolumbre, em especial integrantes da oposição, foram a Brasília para acompanhar o julgamento.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), abriu uma reunião do colegiado para acompanhar a sessão do Supremo, a pedido de Alessandro Vieira (MDB-SE).
Telões foram instalados no plenário da comissão para transmitir o julgamento.
Além de assistir à discussão no STF, parlamentares fizeram críticas a Moraes e ao próprio Alcolumbre. Senadores têm reclamado da postura do presidente da Casa desde o início da crise e cobram respostas diante dos pedidos de impeachment e das propostas para investigar relações de integrantes do Supremo com Daniel Vorcaro.
Damares disse à imprensa, depois da sessão, que o pedido de vista apenas prolongou o desgaste.
“Só adiar a sangria. Só adiar o desgaste”, afirmou. Na sequência, disse que o episódio também teria reflexos eleitorais. “Querem com isso influenciar no processo eleitoral. Mas eu acho que o tiro saiu pela culatra”, declarou.
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