Gustavo vai à academia todas as manhãs. Ele trabalha em uma galeria de arte na capital de Cuba , Havana . E, nos fins de semana, visita exposições e escreve sobre elas para uma revista. Leia mais (09/07/2026 - 08h00)

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Gustavo vai à academia todas as manhãs. Ele trabalha em uma galeria de arte na capital de Cuba, Havana. E, nos fins de semana, visita exposições e escreve sobre elas para uma revista.

Sua vida poderia ser a vida típica de um profissional de 25 anos de idade, não fosse pela crise energética enfrentada por Cuba, a pior das últimas décadas. Ela provocou um efeito dominó que afeta quase todas as suas atividades.

A questão não são apenas os apagões, que se estendem por cerca de 16 horas por dia. Há também a falta de transporte público, que leva Gustavo a planejar cuidadosamente suas saídas de casa. Do contrário, ele se arriscaria a precisar pagar por um táxi que poderia custar um terço do seu salário mensal.

Isso sem falar que, frequentemente, sua casa fica semanas inteiras sem água e que ele passa muitas noites junto a uma lanterna na sacada de casa, para tentar evitar o calor. Gustavo afirma que a falta de energia "afeta até o que você menos imagina".

O Sistema Elétrico Nacional de Cuba, operado pela empresa estatal União Elétrica, entrou em colapso sete vezes desde o início deste ano.

A infraestrutura energética do país é antiga, tecnologicamente obsoleta e não houve investimentos suficientes para sua manutenção e modernização. Atualmente, as centrais termelétricas cubanas produzem apenas uma fração da sua capacidade.

Uma análise do Grupo de Estudos de Cuba concluiu que o mau estado da rede elétrica cubana se deve a "recursos internos insuficientes com prioridades mal definidas, agravados por uma fraca capacidade de implementação".

Além disso, a rede elétrica depende fundamentalmente de combustíveis fósseis, que Cuba atualmente não tem à disposição. A falta de petróleo se agravou seriamente neste ano, devido ao bloqueio energético imposto à ilha pelos Estados Unidos.

Em janeiro, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou os países que fornecerem petróleo a Cuba com tarifas de importação. E os embarques da Venezuela para a ilha terminaram com a detenção do presidente Nicolás Maduro, no início do ano.

O objetivo, segundo altos funcionários americanos, é aumentar as pressões para a "queda" do governo revolucionário cubano.

Paralelamente a todos esses acontecimentos em termos de relações internacionais, pessoas como Gustavo arcam com as consequências na sua vida diária. Tudo isso, agregado a uma longa e profunda crise econômica.

A BBC News Mundo —o serviço em espanhol da BBC— conversou por uma semana com Gustavo, para entender algumas das consequências à sua vida e à de milhões de outros cubanos da pior crise energética enfrentada por Cuba nas últimas décadas.

Na terça-feira, Gustavo amanheceu com luz na sua casa. "Tive sorte", escreve ele, enquanto se dirige ao seu trabalho. Gustavo mora na zona leste da capital e trabalha no centro. As duas regiões são separadas pela baía de Havana.

Por isso, todos os dias, ele precisa atravessar um túnel submarino, que não pode ser cruzado a pé, nem de bicicleta ou de moto. Só é permitido o tráfego de carro ou transporte público. Mas o sistema de ônibus de Havana praticamente parou de funcionar.