Agentes investigam aeródromos privados perto da tríplice fronteira

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Foz do Iguaçu e São Paulo

As lacunas no trajeto de Flávio Bolsonaro (PL) de casa onde morava em Brasília até o aeroporto de Porto Iguaçu, na Argentina, impulsionam uma série de boatos sobre a fuga do senador na cidade de Foz do Iguaçu, um dos possíveis últimos locais no Brasil em que esteve, e pressionam a Polícia Federal a dar respostas que a corporação ainda não tem.

As hipóteses incluem viagens de carro, uso de pistas particulares e até ajuda da comunicação do governo Javier Milei —nenhuma delas com provas.

Flávio e a família do congressista teriam cruzado a ponte internacional Tancredo Neves, ligação entre Foz do Iguaçu e Porto Iguaçu, às 22h50 de terça-feira (27), segundo o governo argentino, e embarcado para o Equador em um jato particular às 23h30.

O que ele fez entre as 17h de segunda-feira (26) — quando publicou o vídeo em que disse ter sido intimado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes a entregar o passaporte e garantir que não fugiria — e a fuga continua em aberto.

Um único voo executivo veio de Brasília na janela temporal da fuga para Foz do Iguaçu e, segundo um dos agentes, não era o da família do senador. Para acessar o terminal executivo, é preciso cruzar o saguão dos voos comerciais. O embarque fica em uma sala que dá à pista, cujo acesso é feito por um corredor próximo do portão de desembarque dos voos comerciais, o mais movimentado. Todo o espaço é monitorado por câmeras.

A investigação policial se concentrou, segundo um dos agentes, em buscar informações sobre três aeródromos particulares próximos à fronteira: um também em Foz do Iguaçu, um em Santa Terezinha de Itaipu e o terceiro em São Miguel do Iguaçu. Os agentes também procuram pistas em Cascavel, a 142 km de Foz do Iguaçu.

A falta de informações até o momento fez a PF mirar ainda outras rotas, incluindo um voo direto de Brasília ou do Rio de Janeiro para Buenos Aires ou outra cidade argentina —o que implicaria apontar que a Direção Nacional de Imigração do país mentiu ao relatar o horário da entrada de Flávio em Iguazú.

Flávio Bolsonaro ficou com 63% dos votos válidos no segundo turno em Foz do Iguaçu. Na cidade, uma das versões mais relatadas pelos moradores é a hipótese, veiculada pelo canal de TV argentino C5N, de que o senador e a família dele ficaram em uma fazenda na cidade até cruzar a fronteira.

Há inúmeras propriedades rurais ao redor do aeroporto de Foz do Iguaçu, e muitas delas funcionam como hotéis-fazenda e até parques, com campos de golfe, cujo acesso é feito por estradas de terra bem conservadas.

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Na portaria de um desses locais, um funcionário repetiu o boato sobre a hospedagem na região, mas disse que o dono do local que deu abrigo poderia virar cúmplice de golpismo —naquele horário, a primeira versão da carta divulgada por Flávio, se autointitulando presidente, já começava a circular.

A Folha conversou com funcionários de lanchonetes, de supermercado, de postos de combustível e motoristas na cidade. Ouviu críticas a Moraes da maioria e elogios aos policiais federais por "terem deixado" Flávio fugir.

Uma das pessoas lembrou que Foz do Iguaçu tinha histórico de servir como rota para bolsonaristas com problemas com a Justiça. A cidade foi usada por Carla Zambelli, que está na Itália, para deixar o Brasil, e teria sido a rota de Silvinei Vasques, ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal capturado no Paraguai.