Senado dos EUA rejeita por 50 a 49 resolução que buscava limitar os poderes de Donald Trump na guerra contra o Irã.
Conflito no Oriente MédioSenado dos EUA barra tentativa de limitar Trump na guerra contra o IrãPor André Pugliesi
Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleDonald Trump ganhou respaldo no Senado dos Estados Unidos após os parlamentares rejeitarem uma resolução que buscava limitar seus poderes na condução da guerra contra o Irã. (Foto: ALBERT PENA/EFE/EPA)Ouça este conteúdo
O Senado dos Estados Unidos rejeitou, por 50 votos a 49, uma resolução que buscava obrigar o presidente Donald Trump a encerrar as operações militares contra o Irã caso não obtivesse autorização expressa do Congresso para prosseguir com a guerra.
A votação manteve a condução do conflito sob comando da Casa Branca e representou uma vitória política para Trump em meio ao aumento das divergências dentro do próprio Partido Republicano sobre a duração da guerra e seus custos econômicos.
Quatro senadores republicanos romperam com a maioria da legenda e apoiaram a proposta: Susan Collins, do Maine; Rand Paul, do Kentucky; Lisa Murkowski, do Alasca; e Thom Tillis, da Carolina do Norte. Entre os democratas, John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único a votar contra a resolução.
EUA fazem preparativos para operação militar em Cuba, diz emissoraJustiça dos EUA restabelece acesso de órgãos de imprensa que Trump vetou na Casa BrancaEUA abandonam plenário da ONU após Irã acusá-los de terrorismoA proposta já havia passado pela Câmara dos Representantes em julho e exigia que Trump encerrasse a participação americana nas hostilidades ou buscasse uma autorização formal do Legislativo. A Constituição americana reserva ao Congresso o poder de declarar guerra, enquanto o presidente, como comandante-em-chefe, dispõe de autoridade para ordenar determinadas ações militares. Essa divisão de competências é alvo recorrente de disputas entre Casa Branca e Congresso.
A legislação sobre poderes de guerra, criada após a Guerra do Vietnã, determina que o presidente busque respaldo do Congresso dentro de determinados prazos quando emprega forças militares sem uma declaração formal de guerra. Sucessivos governos americanos têm contestado os limites dessa norma.
Embora a resolução tenha sido derrotada, a votação mostrou sinais de desgaste da estratégia de Trump dentro do Partido Republicano.
Thom Tillis, que deixará o Senado em janeiro, apoiou pela primeira vez uma resolução destinada a limitar os poderes presidenciais no conflito. Outros republicanos que disputam eleições competitivas em novembro, porém, permaneceram ao lado da Casa Branca.
Na Câmara, a resistência entre republicanos também aumentou. Em uma votação realizada na semana anterior, sete deputados do partido se juntaram aos democratas para apoiar outra resolução destinada a retirar as forças americanas do conflito. Entre eles estavam parlamentares de distritos eleitorais competitivos, como Zach Nunn e Mariannette Miller-Meeks, de Iowa.
Dois candidatos republicanos ao Senado, Mike Rogers, em Michigan, e Ashley Hinson, em Iowa, também passaram a defender publicamente uma rápida conclusão da guerra depois de terem apoiado anteriormente a autoridade de Trump para atacar o Irã.
A votação ocorre a menos de seis semanas das eleições legislativas de 3 de novembro, quando estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado.
A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tornou-se um dos temas centrais da campanha. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta semana mostrou que apenas 34% dos entrevistados aprovavam os ataques americanos contra o país.
Além da discussão sobre a política externa, o conflito passou a ser associado ao aumento dos preços de energia e alimentos nos Estados Unidos. A Associated Press relata que o diesel chegou a superar US$ 6 por galão em algumas referências acompanhadas pela AAA, praticamente o dobro dos níveis anteriores.
O senador republicano John Kennedy, da Louisiana, que esteve recentemente em estados onde candidatos do partido enfrentam eleições apertadas, afirmou que Trump deveria fazer um pronunciamento em horário nobre para explicar aos americanos a estratégia para a guerra e qual seria seu objetivo final. Apesar da cobrança, Kennedy continuou apoiando o governo na votação.
Desde o início da guerra, o Congresso realizou uma série de votações com o objetivo de limitar ou contestar as operações militares ordenadas por Trump.
O Senado já analisou 14 resoluções sobre os poderes de guerra relacionados ao Irã desde 28 de fevereiro e aprovou apenas duas delas. A Câmara realizou seis votações sobre o tema, três das quais terminaram com apoio a medidas para encerrar o conflito.
As resoluções de poderes de guerra têm peso principalmente político. Elas permitem ao Congresso registrar formalmente sua oposição às operações militares, mas não equivalem automaticamente a uma interrupção do financiamento ou das ações do Executivo. O instrumento mais direto à disposição dos parlamentares seria restringir recursos destinados à guerra.
A Casa Branca pediu ao Congresso outros US$ 87,6 bilhões para financiar a guerra e outras necessidades de segurança, segundo a Associated Press. O pacote ainda não havia avançado no Legislativo. A agência estima que o conflito já tenha custado cerca de US$ 43,5 bilhões aos Estados Unidos.
A derrota da resolução ocorreu dois dias depois de Trump fazer um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas em que voltou a defender a campanha militar contra o regime iraniano.




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