A Polícia Civil de São Paulo afirma ver indícios de que um ex-presidente da Transunião, pivô do esquema que prendeu o vereador Senival Moura (PT) nesta quinta-feira (25), tenha sido assassinado por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2020 após descoberta de desvios financeiros na empresa. Leia mais (06/25/2026 - 15h51)

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25.jun.2026 às 15h51 Atualizado: 25.jun.2026 às 17h53

André Fleury Moraes Tulio Kruse

A Polícia Civil de São Paulo afirma ver indícios de que um ex-presidente da Transunião, pivô do esquema que prendeu o vereador Senival Moura (PT) nesta quinta-feira (25), tenha sido assassinado por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2020 após descoberta de desvios financeiros na empresa.

De acordo com as investigações, o petista seria o principal beneficiário dos repasses. Ele só não foi morto, segundo autoridades à frente do caso, porque teria se comprometido a devolver os valores desviados.

A assessoria do vereador declarou na manhã desta quinta que prepara uma nota sobre o caso e que se manifestaria em breve, mas não informou quem está à frente da defesa.

O caso do homicídio ocorreu em 2020.

A vítima, Adauto Soares Jorge, presidia a Transunião na época mas, segundo a Polícia Civil, "encontrava-se em contexto de subordinação material a interesses paralelos, associados a indivíduos que, mesmo alheios ao quadro societário da empresa, exerciam ingerência efetiva sobre suas atividades empresariais".

Os vetores dessa ingerência seriam o vereador Senival e seu aliado dentro da empresa, Leonel Moreira Martins, também alvo da operação.

A atuação do vereador dentro da empresa era motivo de tensionamento entre integrantes do PCC, diz a investigação. A polícia chegou a apreender cartas num mandado de busca e apreensão anterior que, segundo as autoridades, mostram divergências internas sobre os rumos da Transunião.

Uma delas diz que "nós estamos limpando a empresa dessas pessoas de má-fé" e, referindo-se a Leonel: "já fechamos que ele também vai ser convidado a se retirar devido a várias situações deselegantes que deixou acontecer".

Entre elas está a prática de "passar pano para o cabeça branca", um dos codinomes do vereador Senival —também havia "véio", "velhinho" e "vereador", segundo as investigações.

Outro bilhete, também apreendido na busca e apreensão anterior, diz que Leonel "só fazia o que o véio e cabeça branca mandava, deixando bem claro que todos eles faziam parte dos desvios que vinham acontecendo na empresa". A reportagem tenta localizar a defesa de Leonel.

A polícia diz ver elementos que apontam para um desvio de até R$ 15 milhões na Transunião, mas diz que os elementos colhidos até aqui "não permitem concluir que Senival e Leonel tenham sido integralmente afastados da dinâmica de poder relacionado à empresa".

Duas pessoas respondem pela morte de Adauto: Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, que seria um diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.

A reportagem tenta contato com a defesa de Freitas.

Já o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende Devanil, disse à Folha que ainda não teve acesso aos autos, mas que considera desnecessária a prisão dele e que já pediu a revogação da prisão temporária. "Ele sempre colaborou", afirmou.