A volta de Sergey Brin ao trabalho diário com pesquisadores revela uma mudança profunda na estratégia do Google para acelerar o Gemini em meio à crescente pressão da concorrência em IA. O post Sergey Brin transforma microcozinha em centro de comando da corrid…

Principais destaques

Sergey Brin está novamente no coração da operação de inteligência artificial do Google. Quase três décadas depois de ajudar a criar a empresa, o cofundador passou a trabalhar de maneira muito mais próxima das equipes responsáveis pelo Gemini, participando de discussões técnicas e pressionando os pesquisadores para acelerar o desenvolvimento dos modelos.

O cenário escolhido para essa atuação é, no mínimo, incomum para uma das maiores disputas tecnológicas do mundo.

Ali, uma formação de mesas funciona como uma espécie de sala de guerra para parte do trabalho relacionado ao Gemini. O CEO do Google, Sundar Pichai, aparece no local várias vezes por semana, enquanto outros nomes importantes da empresa também já foram vistos por ali.

A descrição foi feita pelo Business Insider a partir de entrevistas com oito funcionários atuais e antigos do Google. Segundo a reportagem, o ambiente se tornou um dos pontos mais importantes para decisões relacionadas ao futuro dos modelos de IA da companhia.

A importância daquele espaço não está no tamanho, mas em quem passou a ocupá-lo e nas decisões tomadas ali.

Brin trabalha próximo de Koray Kavukcuoglu, que ganhou novas responsabilidades na recente reorganização do Google DeepMind. A proximidade entre os dois criou uma estrutura paralela, mais enxuta e com capacidade de tomar decisões rapidamente, segundo pessoas familiarizadas com a operação ouvidas pelo Business Insider.

A lógica é diferente daquela de uma grande corporação, na qual uma decisão pode precisar passar por diversas equipes e níveis hierárquicos antes de chegar à execução.

Dentro da microcozinha, a proposta seria justamente reduzir esse caminho.

Um ex-funcionário familiarizado com a estrutura descreveu o espaço como uma espécie de startup dentro do Google, onde Brin e outros líderes conseguem discutir prioridades, recursos e problemas técnicos sem passar por toda a burocracia da companhia.

Isso é particularmente relevante porque o desenvolvimento de grandes modelos de inteligência artificial depende de recursos extremamente disputados. Entre eles estão capacidade computacional, chips especializados, pesquisadores experientes e tempo para treinar e testar novos sistemas.

Segundo o Business Insider, até mesmo o acesso aos chips usados para treinar modelos pode exigir negociações internas entre equipes. Uma das rotas informais para acelerar esse processo seria justamente recorrer à influência de Brin.

Por que isso importa?

Em uma corrida de IA, velocidade não significa apenas treinar um modelo mais rapidamente. Também significa conseguir recursos, mudar prioridades, resolver conflitos internos e colocar pesquisadores para trabalhar em uma direção comum antes que os concorrentes avancem.

A influência de Brin é peculiar porque ele não precisa exercer autoridade por meio de um cargo executivo tradicional.

O cofundador deixou a liderança operacional da Alphabet anos atrás, mas continua sendo uma das figuras mais poderosas da empresa. Ele e Larry Page possuem ações com direitos especiais de voto que lhes conferem influência decisiva sobre questões de governança da Alphabet.

Por isso, sua posição dentro da estrutura de IA do Google é difícil de comparar com a de um executivo convencional.

Um ex-funcionário sênior ouvido pelo Business Insider resumiu essa diferença ao dizer que Kavukcuoglu possui mais poder formal na hierarquia, mas Brin tem algo que poucos outros executivos podem reproduzir: a autoridade simbólica e prática de ser um dos fundadores do Google.

O retorno de Brin ao trabalho mais próximo dos pesquisadores de IA não aconteceu por acaso.

O lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, mudou radicalmente a percepção do mercado sobre a posição do Google na inteligência artificial. A empresa já possuía algumas das pesquisas mais importantes da área, mas passou a enfrentar a necessidade de transformar essa vantagem científica em produtos capazes de competir em velocidade e escala.