Funcionário de Tacuru foi afastado e será alvo de processo administrativo, segundo o prefeito; caso foi denunciado por lideranças indígenas e será investig...

Por Mirian Machado, José Câmara, g1 MS — Mato Grosso do Sul

28/10/2026 05h25 Atualizado 28/10/2026

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que o áudio com ameaça de envenenar indígenas é de um servidor público. O funcionário foi afastado de suas funções.

A denúncia foi apresentada por lideranças indígenas nesta terça-feira (27). O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar as ameaças à Aldeia Sassoró.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil também relatou outras violências após as eleições. A Secretaria de Segurança de Mato Grosso do Sul negou a ocorrência de genocídio.

Lideranças indígenas denunciam ameaça de envenenamento de água em aldeia de MS

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que o áudio em que uma pessoa sugere envenenar indígenas da região é de um servidor público do município. Segundo o prefeito, o funcionário foi afastado das funções e será alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

A suspeita de que a declaração tenha sido feita por um funcionário da prefeitura foi denunciada por lideranças indígenas nesta terça-feira (27). Veja o vídeo acima. O caso também levou o governo federal a acionar a Polícia Federal (PF) para investigar as ameaças.

De acordo com Torquetti, o áudio circula desde domingo (25), dia do segundo turno das eleições. A ameaça teria sido direcionada aos moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru . Em um vídeo publicado no Instagram, o prefeito negou que o servidor atuasse na distribuição de água no município.

“Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, afirmou.

O prefeito também ressaltou que a administração municipal está à disposição para prestar esclarecimentos sobre o caso.

O prefeito de Tacuru já havia publicado nas redes sociais outro vídeo gravado na Aldeia Sassoró, ao lado de uma moradora da comunidade. Na gravação, ele afirmou que as divergências políticas após as eleições não deveriam provocar conflitos e pediu desculpas pelas falas registradas no áudio. No vídeo, Torquetti pediu que a comunidade perdoasse as pessoas que gravaram o áudio, caso as falas tivessem causado ofensa.

O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar denúncias de ameaças e manifestações racistas contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Entre os relatos estão denúncias de mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades do estado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e a Polícia Federal não confirmaram mortes relacionadas à violência política.

PF investiga envenenamento e ameaça a indígenas em MS após reeleição de Lula: 'Tem que matar essas pragas na água'

As denúncias ganharam repercussão após publicações nas redes sociais feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). A entidade acionou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), que encaminhou à PF uma denúncia sobre o caso de Tacuru e pediu a apuração dos fatos.

🔎O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que o governo federal mapeia denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas, quilombolas e povos de terreiro em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do país. Segundo ele, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial formaram uma força-tarefa para dar prioridade aos casos.

“Tomei conhecimento ontem deste fato gravíssimo e ontem mesmo nossa equipe fez contato, qualificou as informações e ontem mesmo acionei a Polícia Federal”, afirmou o ministro ao g1.

Denúncia relata falas racistas e ameaça contra aldeia em Tacuru

Entrada de Tacuru. — Foto: Reprodução Instagram.