Um dos mais ricos empresários brasileiros, Carlos Alberto Sicupira, 78, foi alvo de ação da Polícia Federal nesta quinta-feira (25) no âmbito da Operação Disclosure, que investiga fraudes contábeis na Lojas Americanas. Leia mais (06/25/2026 - 16h07)

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25.jun.2026 às 16h07 Atualizado: 25.jun.2026 às 17h55

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Matheus Tupina Daniele Madureira

Um dos mais ricos empresários brasileiros, Carlos Alberto Sicupira, 78, foi alvo de ação da Polícia Federal nesta quinta-feira (25) no âmbito da Operação Disclosure, que investiga fraudes contábeis na Lojas Americanas.

Carioca, Sicupira é um dos três acionistas de referência da varejista, junto de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Os três fundaram o grupo de investimentos 3G Capital, com alcance global e marcas como a cervejaria AB InBev e Burger King, além da Americanas.

O empresário é o sexto mais rico do Brasil, com patrimônio líquido de R$ 39,1 bilhões, segundo a lista de bilionários brasileiros da Forbes de 2025. Formado em administração de empresas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com MBA (mestrado em administração de negócios) na Harvard Business School (EUA), é filho de uma dona de casa e de um servidor público do Banco do Brasil e do Banco Central.

Segundo as investigações, os alvos da operação teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos. Procurado diretamente pela reportagem para comentar a ação da PF, Sicupira não respondeu até a publicação deste texto.

Por meio de nota, a LTS —holding e escritório de investimentos das famílias de Sicupira, Lemann e Telles, além de outros sócios— afirmou que os acionistas de referência foram "surpreendidos" pela operação.

"As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o conselho de administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria", afirmaram.

No livro "Sonho Grande" (editora Sextante, 2013), best-seller sobre a história do trio do 3G, a jornalista Cristiane Correa afirma que "delicadeza no ambiente de trabalho nunca foi o forte de Beto Sicupira".

"No Garantia se tornaram lendárias as cenas de destempero protagonizadas por ele. ‘Trator’ e ‘dono da verdade’ são algumas das expressões mais usadas por antigos colegas do banco para descrever seu temperamento mercurial. No dia a dia, ele nunca economizou gritos, palavrões e murros na mesa para fazer valer sua opinião. ‘É mais fácil segurar um louco do que empurrar um burro’ é uma das suas frases favoritas", afirma o trecho da obra.

O Garantia foi o banco comprado por Jorge Paulo Lemann, onde trabalharam Marcel Telles e Sicupira, mais tarde sócios do negócio e controladores da Americanas por meio da empresa de private equity 3G Capital.

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Claudio Galeazzi, morto em março de 2023, fundador da consultoria Galeazzi & Associados, que promoveu uma reestruturação na Americanas no final da década de 1990, conta no livro "Sem Cortes", em parceria com Joaquim Castanheira (editora Portfolio-Penguin, 2019), um pouco do perfil de cada integrante do trio de bilionários.

"Implacáveis na cobrança pelos resultados, em geral se mostram afáveis no trato com as pessoas no dia a dia. Lemann fala pouco e ouve muito. Dos três, Sicupira é o mais agressivo, enquanto Telles apresenta um perfil mais contemporizador e revela uma fina ironia", diz ele, que aponta uma "única crítica" ao trio.

"Fora os resultados, nada interessa. É uma frieza excessiva. Em razão disso, cria-se um clima de competição interna sanguinária, como se o sujeito sentado a seu lado fosse um adversário a ser batido. Trabalhei com o GP em várias oportunidades e acredito na meritocracia, porém o conceito poderia ser mais humanizado sem perder a objetividade", disse Galeazzi, referindo-se ao GP Investments, o embrião do 3G Capital.