Rede D’Or destinou R$ 600 milhões em equipamentos para cirurgias e deve aportar mais R$ 150 milhões em plataformas robóticas até 2031. O grupo Fleury, de diagnóstico, colocou R$ 108 milhões em inovação

De imensos robôs que auxiliam profissionais nos centros cirúrgicos a soluções de inteligência artificial que aceleram a definição de diagnósticos, redes de hospitais e laboratórios têm intensificado investimentos em tecnologia. Os aportes garantem ganhos de eficiência e redução de custos para as empresas, além de, sobretudo, aprimorar procedimentos e tratamentos aos pacientes.

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Uma pesquisa da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) em parceria com a consultoria Folks mostrou que hospitais brasileiros apresentam uma média de maturidade digital de 56,3%. O índice, que vai até 100% e avalia diferentes aspectos, aponta, segundo o relatório, que a incorporação de tecnologias e a modernização de processos assistenciais e administrativos estão entre as prioridades das instituições do setor.

Maior grupo de hospitais privados do país, a Rede D'Or usa cirurgia robótica em 30 de suas 76 unidades. CEO de hospitais da Rede D'Or, Rodrigo Gavina detalha que, nos últimos cinco anos, a companhia investiu cerca de R$ 600 milhões em equipamentos, acessórios e instrumentos utilizados nas cirurgias. Até 2031, a expectativa é que até R$ 150 milhões adicionais sejam aportados para a compra de novas plataformas robóticas.

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No setor de diagnósticos, robôs também são usados para acelerar a análise dos exames e a liberação dos laudos. No ano passado, o grupo Fleury — de marcas como Labs a+, Felippe Mattoso, Lafe e Hermes Pardini — investiu R$ 108 milhões em inovação, o que, segundo a rede, gerou R$ 112 milhões em ganhos de eficiência e cerca de R$ 350 milhões em novas receitas.

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Uma das mais recentes apostas da companhia foi a instalação de um sistema de automação no centro de processamento de amostras clínicas do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo. A unidade é dedicada à operação Lab-to-Lab, que analisa exames de laboratórios parceiros.

Em vez das tradicionais esteiras, a estrutura utiliza pequenos veículos que transportam os tubos de exames por trilhos. Os tubos que chegam à unidade são capturados por robôs e colocados nesses pequenos veículos. Eles são destampados e seguem pelos trilhos até os analisadores, que retiram automaticamente as amostras para realizar os exames. Depois, os tubos continuam o percurso até os equipamentos seguintes.

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Atualmente, a estrutura tem condições de liberar mais de 150 mil exames por dia, e 80% da rotina têm resultados liberados em até 180 minutos. Presidente da Unidade de Negócios do Fleury, Edgar Gil Rizzati acredita que o sistema tem capacidade de ser ampliado para processar até 7 milhões de exames por mês:

— É a maior linha de automação do tipo no mundo. Fazer a análise das amostras de maneira totalmente automatizada acelera muito o processo de realização dos exames.

A logística da operação também passou a contar com drones que transportam as amostras até os centros de análise.

Ressonância mais rápida

Outra frente que recebe investimentos contínuos é a de IA. O Fleury usa algoritmos de aprendizado de máquina para reduzir pela metade o tempo necessário para exames de ressonância magnética, que costumam incomodar crianças e pacientes com claustrofobia. Além disso, os recursos ajudam a melhorar a qualidade das imagens.

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Já nos laboratórios da Dasa — das marcas Delboni, Lavoisier, Bronstein e Sérgio Franco — algoritmos de IA analisam laudos de exames e sinalizam mais de 40 condições que exigem atenção médica, como câncer de mama. Segundo Leonardo Vedolin, vice-presidente médico da Dasa, a estratégia ajuda a reduzir o tempo entre a descoberta e o início do tratamento de 17 dias para sete dias.

Nos hospitais, ferramentas de IA são usadas tanto na assistência aos pacientes quanto no dia a dia administrativo das unidades. No Sírio-Libanês, são 34 projetos de IA, dos quais 11 já em operação. Um dos exemplos é um sistema que analisa os prontuários e identifica sinais de risco de broncoaspiração dos pacientes internados.

— Mas nos processos clínicos e de conduta, a IA atua estritamente como um copiloto. A soberania e a decisão final continuam sendo 100% do médico e da equipe assistencial — ressalta Daniel Greca, diretor de Estratégia, Inovação e Crescimento do Sírio.

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