Cuba tem dois apagões totais em menos de 24 horas Em Cuba, viver sem luz deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina. Com apagões cada vez mais frequentes e prolongados, os cubanos tiveram de adaptar o dia a dia para sobreviver. Tarefas banais, como cozinhar, conservar alimentos e manter o celular carregado, se transformaram em grandes desafios, obrigando os moradores a improvisar soluções para atravessar horas — e, às vezes, dias — sem energia. No mais recente apaga
Por Isabella Fischer Fernandes, g1*
08/08/2026 04h00 Atualizado 10/08/2026
No último domingo (2), Cuba registrou o sexto apagão geral de 2026, deixando 9,6 milhões de habitantes sem energia por quase 48 horas.
Para enfrentar a falta de comunicação por internet, moradores usam painéis solares ou carregam celulares em órgãos públicos e hospitais com geradores.
A população recorre a lenha e carvão para cozinhar. Além disso, alimentos estragam sem refrigeração e os preços de itens essenciais dispararam.
O esgotamento diante da crise energética impacta a saúde mental dos cubanos. Clínicas registram aumento de consultas por estresse e incerteza no cotidiano.
Na última quinta-feira (7), especialistas em direitos humanos da ONU condenaram medidas dos Estados Unidos e pediram ações para evitar o agravamento da crise.
Cuba tem dois apagões totais em menos de 24 horas
Em Cuba, viver sem luz deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina. Com apagões cada vez mais frequentes e prolongados, os cubanos tiveram de adaptar o dia a dia para sobreviver.
Tarefas banais, como cozinhar, conservar alimentos e manter o celular carregado, se transformaram em grandes desafios, obrigando os moradores a improvisar soluções para atravessar horas — e, às vezes, dias — sem energia.
No mais recente apagão, no último domingo (2), a ilha ficou quase 48 horas sem luz, no sexto blecaute generalizado de 2026. Ou seja, os 9,6 milhões de habitantes enfrentaram dois dias seguidos de escuridão.
👉 Este é só mais um episódio da crise energética que se agravou nos últimos meses. Cuba já registrou ao menos cinco apagões nacionais neste ano, sendo três deles apenas em julho, em um intervalo de 10 dias. Desde o final de 2024, foram 11 apagões em todo o país. Além desses, a ilha vem sofrendo também com diversos apagões parciais.
Em grande parte dos dias, porém, a energia funciona por apenas 2 horas, segundo relatos de cubanos ao g1.
O sistema elétrico de Cuba enfrenta uma combinação de problemas, agravados pelo embargo energético imposto pelo governo de Donald Trump:
Os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo a Cuba e interromperam as entregas regulares de combustível.Sem combustível, as centrais elétricas e usinas termelétricas - que já sofriam com a deterioração da sua infraestrutura - entraram em colapso
Alto-falantes e megafones para driblar a falta de internet
Pessoas dormem em um colchão perto da porta da varanda enquanto Cuba corre para reconectar sua rede elétrica nacional após um apagão em todo o país, em Havana, Cuba, 4 de agosto de 2026. — Foto: REUTERS/Norlys Perez
Para o jornalista cubano Istaván Ojeda, "a comunicação é o que mais preocupa" os moradores da ilha. Ojeda, que também trabalha como correspondente internacional, explica que toda a infraestrutura de internet em Cuba depende da eletricidade.
"O bloqueio dos EUA também afeta as telecomunicações, e não apenas de forma indireta (como consequência da escassez de combustível e de eletricidade). Os Estados Unidos também estão bloqueando o acesso das empresas estatais cubanas de telecomunicações a cabos submarinos", afirmou Ojeda, em entrevista ao g1.
O jornalista explica que Cuba tem 7 milhões de celulares com conexão à internet e que a interrupção desse serviço tem causado intenso estresse à população, que usa as redes sociais para se informar.




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