História da organização cruza com a Constituinte de 88 e com a poluição do rio Tietê

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A forma como hoje falamos, regulamos e nos preocupamos com a mata atlântica, onde vive a maior parte dos brasileiros, entrelaça-se com a história de uma instituição cujo nome leva um pedido de socorro: SOS Mata Atlântica. No aniversário de 40 anos, a serem completados no dia 20 deste mês, a fundação tenta repetir com as novas gerações algo que fez com sucesso em seus primórdios: a mobilização popular.

Nascida nos anos 1980, em meio ao processo de redemocratização do Brasil e do borbulhante movimento ambiental no país, a primeira grande mobilização da entidade foi um abaixo-assinado, em 1991, atuando por um rio Tietê despoluído.

À época, o governador do estado, Luiz Antônio Fleury Filho (então PMDB-SP), prometeu que "em torno de oito anos já será possível pescar". Em 2026, quem passa ou vive em São Paulo provavelmente sabe que isso não se tornou a realidade do Tietê, ainda monitorado pela SOS Mata Atlântica.

O abaixo-assinado foi um sucesso. Mais de 1 milhão de assinaturas coletadas.

"Um milhão de assinaturas no papel. A pessoa ia lá, assinava o papel, mandava pelo correio", diz Marcia Hirota, que está na fundação há mais de 30 anos e hoje preside o conselho da entidade. "Você imagina como era fazer mobilização? Telefonava-se, um por um. E mesmo assim fomos buscando engajar a sociedade, buscando trazer mais pessoas para a luta."

Alguns anos antes, em 1986, a SOS estava tendo suas bases estruturadas.

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"Conseguimos ser parte do início do movimento socioambiental no Brasil. Foi incrível ter participado disso", afirma Roberto Klabin, vice-presidente do conselho da fundação. Um dos fundadores da SOS, ele a presidiu por algum tempo.

O surgimento da SOS, segundo Klabin, partiu de uma provocação do jornalista Rodrigo Lara Mesquita por mais atenção ao bioma. Nos primórdios, também estava ali Fabio Feldmann, primeiro presidente da SOS. Deputado federal constituinte, ele é reconhecido pela liderança para inclusão da questão ambiental na Constituição de 1988.

Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha que morreu em 2018, também foi um dos fundadores da SOS.

622 assinaturas legíveis na ata de fundação

Mais de 100 UCs na mata atlântica e marinhas

Cerca de 400 RPPNs apoiadas, com mais de R$ 20 milhões investidos