Form Energy capta US$ 750 mi com baterias de ferro-ar de 100 horas para data centers de IA. Entenda a tecnologia e o impacto no setor elétrico.
Enquanto o planeta discute até onde pode ir a inteligência artificial, uma questão menos interessante — e muito mais prática — começa a separar quem vai ganhar a disputa: de onde virá a energia? Os data centers de IA já utilizam uma quantidade de energia equivalente à de cidades inteiras, e a solução pode ser encontrada em um material surpreendentemente comum: o ferro. A Form Energy, uma startup dos Estados Unidos que cria enormes baterias de ferro-ar que podem funcionar por até 100 horas seguidas, arrecadou US$ 750 milhões em uma nova rodada de financiamento, totalizando mais de US$ 2 bilhões desde sua fundação, conforme reportou o New York Times. O investimento é evidente: na era da inteligência artificial, armazenar energia por dias, em vez de apenas horas, tornou-se um recurso estratégico.
Ao contrário das baterias tradicionais de íon-lítio, que fornecem energia por algumas horas, as baterias da Form são feitas para durar 100 horas — o tempo necessário para que concessionárias possam enfrentar crises de rede que duram dias, como no caso de uma tempestade de inverno. De acordo com o NYT, a nova rodada de financiamento servirá para expandir a fábrica em Weirton, na Virgínia Ocidental, e para a primeira fase de projetos comerciais, incluindo uma colaboração entre a concessionária Xcel Energy e o Google, da Alphabet.
Os dados demonstram a tração comercial. O backlog de projetos da Form aumentou de 20 gigawatt-hora para 80 gigawatt-hora neste ano, conforme informações publicadas pelo New York Times. O contrato mais expressivo, que foi firmado com a Xcel Energy, prevê a instalação de 300 megawatts em baterias para reforçar a rede e um centro de dados do Google que está sendo planejado para Pine Island, Minnesota — esse sistema terá a capacidade de armazenar e fornecer 30 gigawatts-hora de energia.
Entre os clientes está a Crusoe, que constrói data centers de IA para empresas como Oracle e Meta, e que espera usar 12 gigawatt-hora das baterias da Form a partir de 2028. A desenvolvedora de energia renovável FuturEnergy Ireland está colaborando com a startup em um sistema de baterias ferro-ar que será implementado até 2029 no noroeste da Irlanda.
Os investidores que participaram da rodada são gigantes das finanças globais: T. Rowe Price, Sequoia Capital, Janus Henderson, Franklin Templeton, TPG Rise Climate, Dustin Moskovitz e Cari Tuna, Coatue Management e GE Vernova.
As credenciais dos fundadores sustentam a afirmação: Jaramillo participou do desenvolvimento do Powerwall, o sistema de armazenamento da Tesla, e foi responsável pelos primeiros powertrains da montadora; Yet-Ming Chiang, professor do MIT, é cofundador da A123 Systems, empresa pioneira em baterias de lítio.
A jornada da Form Energy traz um recado claro ao mercado brasileiro. O Brasil está passando por uma fase única: possui uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, com uma significativa contribuição de hidrelétricas, energia eólica e solar, mas se depara com o desafio crônico da intermitência das fontes renováveis e da dependência de reservatórios durante os períodos de seca. Long-lasting batteries that can store energy for days are precisely what is needed to turn this advantage into a leadership position in the AI economy.
Enquanto os EUA e a Europa competem por data centers que custam bilhões, o Brasil ainda está nos estágios iniciais de atração desses investimentos — em parte devido a incertezas regulatórias e de infraestrutura. Iniciativas como o data center da ByteDance, que será implantado no Ceará e será alimentado por energia eólica, evidenciam o potencial do estado, mas para alcançar essa escala, serão necessárias soluções de armazenamento que, atualmente, praticamente não existem no país.


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