Ministro determinou que a penitenciária explique possíveis oitivas sem advogado para discutir delação premiada
Ministro determinou que a penitenciária explique possíveis oitivas sem advogado para discutir delação premiada
de Brasília 24.jun.2026 (quarta-feira) - 14h48 Siga o Poder360 no Google
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu nesta 3ª feira (23.jun.2026) esclarecimentos do Complexo Penitenciário da Papuda sobre possível depoimento informal com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
O ministro quer que a unidade prisional responda em 48 horas às alegações da defesa sobre indícios de oitiva irregular para discutir eventual delação premiada. A informação foi antecipada pelo G1 e confirmada pelo Poder360.
Investigado por liderar esquema de fraudes nos descontos associativos do INSS, o empresário afirma que foi conduzido a prestar depoimento sem a presença de sua advogada. A defesa do investigado também apresentou queixas de irregularidades na cela, afirmando que a luz carcerária não apaga.
Já existe a expectativa para um interrogatório oficial que será marcado em data futura.
Ao analisar o caso, Mendonça considerou que a administração da Papuda deve esclarecer se houve o “depoimento informal” e, se confirmado, identificar os agentes envolvidos nos fatos narrados.
“A realização de atos de caráter inquisitivo sem observância das garantias mínimas do custodiado, notadamente a prévia ciência e a presença da defesa, demanda apuração imediata pelo Juízo, a fim de resguardar a legalidade do procedimento e a integridade das prerrogativas processuais”, declarou o ministro.
Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, tornou-se o personagem central das investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários. Ele e o empresário Maurício Camisotti são apontados pela Polícia Federal como os principais articuladores das fraudes.
Apesar do apelido, Antunes nunca foi funcionário do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Sua influência se consolidou como empresário e lobista, com o uso de uma rede de empresas e organizações para intermediar contratos que atingiram aposentados e pensionistas em todo o país. O Careca do INSS foi preso preventivamente desde 12 de setembro de 2025 como alvo da operação Sem Desconto.