Boyband tem sucesso comercial dentro e fora da Coreia do Sul

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28.ago.2026 às 23h00

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Desde sua formação, o Stray Kids teve uma liberdade que foge à regra no k-pop. Os integrantes da boyband escolheram o próprio nome, criaram o logo, escreveram e compuseram as músicas. As gravadoras do pop da Coreia do Sul costumam controlar todo o processo criativo dos artistas.

A participação ativa permitiu construir uma identidade e constância na carreira —são 22 discos em oito anos—, o que contribuiu para o crescimento do grupo, hoje um dos maiores dessa indústria. O Stray Kids é o headliner de 11 de setembro no Rock in Rio, na estreia do dia dedicado ao k-pop no festival brasileiro.

Eles já demonstraram que têm fôlego para dar conta do posto. No ano passado, atraíram 160 mil pessoas em três shows esgotados nos estádios do Morumbis, em São Paulo, e Engenhão, no Rio de Janeiro. O número é o maior público do pop sul-coreano no Brasil até então.

Também têm experiência como atração principal de festivais internacionais, a exemplo dos Lollapalooza Chicago e Paris, BST Hyde Park, em Londres, e The Governors Ball, em Nova York.

Compõem o grupo Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N., com idades de 25 a 28 anos. A formação original trazia ainda Woojin, então vocalista principal, que saiu em 2019 –a gravadora alegou "circunstâncias pessoais".

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A criação do Stray Kids também foi incomum. Bang Chan, o líder, escolheu a dedo os integrantes para participar de um reality show organizado pela gravadora responsavel por eles, a JYP Entertainment. Os participantes completavam missões com o objetivo de debutar juntos, sem eliminações. O lineup definitivo foi anunciado no fim de 2017 e, três meses depois, foi lançado.

O líder, que cresceu na Austrália, entrou para o programa de treinamento da empresa aos 13 e foi trainee por sete anos. Ao lado dos rappers Changbin e Han, forma o chamado 3Racha, trio que é até hoje a base da produção musical da boyband. Bang Chan, inclusive, detém o recorde de artista de k-pop com mais créditos em canções no Komca (associação de direitos autorais na Coreia do Sul): são 243.

No início da carreira, os jovens abordavam nas letras questões típics dessa fase da vida, como ansiedade, a dificuldade de encontrar a própria identidade e o julgamento que sofriam.

Definir o estilo de um grupo de k-pop é difícil, pois essa indústria é conhecida justamente por ser experimental e misturar diversos gêneros musicais. O som Stray Kids já trouxe referências do hip hop, rock, eletrônica e dubstep, por exemplo.

É possível dizer que eles são conhecidos por performances fortes, coreografias complexas e destaque ao rap —o que combina com a energia de um festival. Faixas como "Thunderous", "Back Door", "Chk Chk Boom", "Maniac" e "Lalalala" dão o tom do trabalho deles.

Ao longo da carreira, a boyband conseguiu conquistar uma base de público tanto local quanto internacional. Expandir o alcance ao mercado ocidental era parte da estratégia da empresa, uma das maiores da indústria sul-coreana, desde o começo. Isso conversa com o slogan do grupo: "Stray Kids em todo o lugar ao redor do mundo".

Um hit da pandemia, "God's Menu", viralizou nas redes sociais —em boa parte graças à voz grossa do rapper australiano-coreano Felix— e ampliou a exposição digital fora da terra natal. O single recebeu certificação de ouro e platina nos Estados Unidos.