Super El Niño: por que cientistas estão em alerta para um fenômeno histórico? O avanço do Super El Niño deve aumentar a frequência de eventos climáticos extremos nos próximos meses, com mais chuvas intensas, enchentes e períodos de calor acima da média em diferentes regiões do Brasil. Mas os impactos do fenômeno vão muito além dos temporais. As alterações no clima também podem modificar o comportamento da fauna e criar condições favoráveis para a emerge?
Por Rodrigo Peronti, Terra da Gente
07/08/2026 07h43 Atualizado 07/08/2026
O avanço do Super El Niño pode modificar o comportamento da fauna silvestre. Essa alteração climática amplia o risco de transmissão de doenças infecciosas para humanos.
Períodos chuvosos elevam a reprodução de mosquitos, caramujos e carrapatos. Na seca, roedores buscam abrigo perto de habitações humanas, aumentando a contaminação por hantavirose.
A perda de florestas e as alterações ambientais forçam animais a migrarem para áreas urbanas. Esse contato próximo amplia a transmissão de patógenos para as pessoas.
Super El Niño: por que cientistas estão em alerta para um fenômeno histórico?
O avanço do Super El Niño deve aumentar a frequência de eventos climáticos extremos nos próximos meses, com mais chuvas intensas, enchentes e períodos de calor acima da média em diferentes regiões do Brasil. Mas os impactos do fenômeno vão muito além dos temporais. As alterações no clima também podem modificar o comportamento da fauna e criar condições favoráveis para a emergência ou o aumento de doenças transmitidas por animais.
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Segundo o biólogo Roberto Leonan M. Novaes, doutor em Biodiversidade e Biologia Evolutiva pela UFRJ e pesquisador da Fiocruz, praticamente todos os animais sofrem algum efeito das mudanças nas condições ambientais.
"Todos os animais são suscetíveis às mudanças climáticas em maior ou menor grau, já que o clima pode mudar a oferta de alimentos, a capacidade de ocupar abrigos e causar estresse térmico, obrigando esses animais a se deslocarem para locais mais adequados à sobrevivência."
Esse deslocamento, explica o pesquisador, ganha importância quando envolve espécies que atuam como vetores ou reservatórios naturais de microrganismos capazes de causar doenças em humanos.
"Quando estamos falando de animais com destacada importância como vetores ou reservatórios de microrganismos causadores de doenças em humanos, como mosquitos, aves, roedores e morcegos, mudanças na abundância, distribuição ou comportamento dessas espécies podem resultar na emergência de doenças infecciosas de origem zoonótica, como dengue, gripe, leptospirose, hantavirose e raiva."
Morcego-Das-Frutas (Artibeus lituratus), comum em todo o país — Foto: joaopfsz /iNaturalist
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Chuvas intensas favorecem mosquitos, carrapatos e caramujos
O pesquisador explica que os efeitos variam conforme o tipo de evento climático. Durante períodos de chuva intensa, por exemplo, aumenta a disponibilidade de criadouros para mosquitos.
"Durante períodos de chuvas intensas podem ocorrer o aumento de criadouros de mosquitos, acelerando sua reprodução e elevando a abundância populacional."
Além dos mosquitos, ambientes mais úmidos favorecem outros organismos que participam da transmissão de doenças.
"As chuvas também podem favorecer a sobrevivência de caramujos e aumentar a atividade de carrapatos em ambientes úmidos. A temperatura mais elevada ajuda nessa reprodução explosiva desses animais, aumentando as chances de interação com humanos."




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