Por André Rosa, Gustavo Oliva, EPTV 1 e g1 Campinas e Região

07/09/2026 15h10 Atualizado 07/09/2026

O Super El Niño deve elevar em até 2°C a temperatura média nas regiões de Campinas e Piracicaba, segundo projeção do Cptec divulgada pela EPTV.

O fenômeno bloqueia frentes frias no Sul do país, impedindo que cheguem com força ao Sudeste e mantendo as temperaturas mais altas em São Paulo.

Com o oceano Pacífico 2,3°C acima do normal, cientistas estimam que o evento atual pode ser o El Niño mais intenso já registrado.

O calor intenso alimenta temporais violentos e microexplosões. Esses eventos geram rajadas de vento que podem atingir a velocidade de até 200 km/h nas cidades.

Pesquisador do Inpe alerta para a necessidade de adaptação às mudanças climáticas, adotando medidas para lidar com o "novo normal" de ondas de calor e chuvas intensas.

Entenda impactos e riscos do fenômeno 'Super El Niño' na área de cobertura da EPTV

O Super El Niño, fenômeno climático conhecido por favorecer ondas de calor, deverá aumentar em 2°C a temperatura média das regiões de Campinas (SP) e de Piracicaba (SP). A projeção foi informada pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) à EPTV, emissora afiliada da TV Globo.

🌊 Entenda: O El Niño é caracterizado pelo aumento anormal da temperatura da superfície do Oceano Pacífico, na região próxima à Linha do Equador, o que deixa a atmosfera mais aquecida e diminui a frequência e a intensidade das ondas de frio.

Ainda de acordo com o Cptec, outras áreas do interior paulista e do sul de Minas Gerais também enfrentarão calor atípico:

Região de Ribeirão Preto (SP): aumento de 2,5°C na temperatura médiaRegião de São Carlos (SP): aumento de 2°CRegião do sul de Minas Gerais: aumento de 1,8°C

"Parece pouco. Por quê? Porque, na verdade, a gente vai ter essas oscilações entre períodos muito quentes e de chuva. Nesses períodos muito quentes, os picos de temperatura podem fazer com que a gente fique até mais de 5°C acima da média", disse Giovanni Dolif, pesquisador e coordenador de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Já em todo o Brasil, a tendência é que o Super El Niño aumente o risco de seca no norte e no nordeste. Ao mesmo tempo, as frentes frias que vêm da Argentina e do Uruguai ficam bloqueadas no sul do país, podendo provocar mais chuvas nessa área.

"Se as frentes frias ficam bloqueadas no sul do Brasil, elas não chegam à região sudeste. Ou se chegam, chegam com menos intensidade. Por isso que as temperaturas ficam mais altas na região sudeste, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais", explicou Gilvan Sampaio de Oliveira, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Campinas pode ter sofrer com impactos do El Niño — Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

A intensidade do El Niño pode ser medida pelo aquecimento do oceano. Das últimas 10 ocorrências do fenômeno desde 1982, o recorde de aumento da temperatura do Pacífico Equatorial foi em 1997, com 3,24°C.

Neste ano, a temperatura do oceano ainda está subindo, mas com 2,3°C acima do normal, já supera os registros para essa época de todas as outras ocorrências. "Nós estamos evoluindo para talvez o El Niño mais intenso já registrado", afirmou Gilvan.

Temporais e microexplosões

O calor intenso provocado pelo Super El Niño é o principal combustível para a formação de temporais violentos. Giovanni explicou que os ventos fortes em grandes altitudes sugam o ar quente e úmido da superfície, fazendo com que as tempestades se desenvolvam mais rápido e durem mais tempo.