Os resultados da mais recente pesquisa Datafolha consolidaram o tombo que o candidato Flávio Bolsonaro levou de seu pangaré obscuro ao ser apanhado em flagrante a pedir dinheiro grosso ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar "Dark Horse", a cinebiografia de seu pai. Leia mais (06/25/2026 - 15h59)

Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

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25.jun.2026 às 15h59

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Os resultados da mais recente pesquisa Datafolha consolidaram o tombo que o candidato Flávio Bolsonaro levou de seu pangaré obscuro ao ser apanhado em flagrante a pedir dinheiro grosso ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar "Dark Horse", a cinebiografia de seu pai.

Por mais que se tente encarar as coisas com benevolência pelo lado do senador, sua situação piorou depois da conversa vazada com o dono do Master. A realidade é que Lula está dez pontos percentuais à frente na pesquisa estimulada. Na espontânea, em que os nomes dos presidenciáveis não são apresentados, Lula é citado por 30% e Flávio Bolsonaro, por 17%.

A sondagem de segundo turno, mais problemática, que pede ainda mais cautela, mostra o petista quatro pontos à frente de seu rival, que já o havia ultrapassado numericamente. Flávio também bate Lula em rejeição. Para piorar o ambiente, ele está aos tapas com Michelle, que foi a campo para bombardeá-lo.

Muita água, é verdade, ainda vai passar pela ponte. O senador Jaques Wagner, por exemplo, entrou para o clube Master, e em três meses tudo pode acontecer no reality Brasil. A esperança antipetista, então, é a última que morre.

Aqueles que fecham os olhos e suspiram com a ideia de um "cinturão de direita" no continente tentam considerar os fatos com o viés de suas expectativas. Porém, uma análise equilibrada do perfil, das aptidões e das características conhecidas de Flávio Bolsonaro concluiria pela imprevisibilidade e pela ausência de experiência, envergadura e requisitos mínimos para ocupar o posto mais alto da nação.

As chances de uma catástrofe nacional em caso de uma eventual eleição do primogênito do capitão são consideráveis.

Para frustração da torcida do cinturão, as alternativas na praça não animam muito. Zema, o ex-governador de Minas, é constrangedor e não resiste a um olhar minimamente crítico.

Ronaldo Caiado parece agora despertar algum ânimo em setores do mercado. Promete as reformas estruturantes e a panaceia privatista e fiscalista de sempre que tanto encanta o mundo das finanças.

A propósito, estamos assistindo pasmos ao grande espetáculo do vale-tudo mafioso e trambiqueiro que se encena no palco financeiro do país. A fraude das Americanas voltou ao noticiário. Temos o Master, os fundos e as fintechs obscuras do crime organizado. E o que dizer de igrejas usadas como plataformas de enriquecimento?

Caiado, é verdade, tem boa avaliação em Goiás, mas seu épico cavalo branco ainda não compete com o combalido "dark horse" do bolsonarismo. Não parece um nome destinado a surpreender.

Restaria nesse cenário pouco auspicioso para a direita contar com uma maluquice: Renan Santos, do Missão, de repente desponta nas intenções de voto. Mas aí já seria demais, não é?