Tarifa dos EUA contra Brasil é marcada por vaivém Extraídas de minas brasileiras, pedras naturais como ametistas, ágatas e quartzos percorrem milhares de quilômetros até chegar aos Estados Unidos, onde são transformadas em itens de decoração, presentes e lembranças vendidos por atacadistas e varejistas. Esse comércio, no entanto, pode ser afetado pela proposta do governo americano de novamente impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. 🗒️Tem alguma sugestão de repor

Tarifa dos EUA contra Brasil é marcada por vaivém Extraídas de minas brasileiras, pedras naturais como ametistas, ágatas e quartzos percorrem milhares de quilômetros até chegar aos Estados Unidos, onde são transformadas em itens de decoração, presentes e lembranças vendidos por atacadistas e varejistas. Esse comércio, no entanto, pode ser afetado pela proposta do governo americano de novamente impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por isso, até mesmo empresas americanas que dependem dessas importações passaram a pressionar Washington para retirar os produtos brasileiros da lista de sobretaxas. Elas argumentam que não há fornecedores em outros países capazes de substituir o Brasil em termos de qualidade, escala de produção e preço. Entre essas empresas está a GeoCentral, atacadista sediada em Mason, no estado de Ohio, especializada em pedras, cristais e fósseis. A companhia, controlada desde 2008 pela holding familiar CM Paula, pediu formalmente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que as pedras semipreciosas brasileiras sejam incluídas na lista de produtos isentos da medida. Segundo a empresa, mais de 25% de todo o seu portfólio é importado do Brasil de estados como Minas Gerais e Rio Grande so Sul, incluindo a maior parte das pedras preciosas e semipreciosas comercializadas em diferentes formatos, de cristais soltos a produtos prontos para o varejo. A GeoCentral não está sozinha. Ao menos outras 11 empresas e entidades setoriais enviaram manifestações ao USTR contestando a proposta de sobretaxa sobre mercadorias brasileiras. Destas, pelo menos nove são companhias americanas. Em comum, elas afirmam que a medida aumentará custos, prejudicará suas operações e reduzirá a competitividade da indústria dos EUA. ‘Não existem alternativas equivalentes’ Minarais comercilizados pela GeoCentral: empresa pediu a inclusão de pedras naturais na lista de isenção do governo dos EUA Divulgação Em entrevista ao g1, o CEO da CM Paula, George White, afirmou que a empresa compra produtos brasileiros por necessidade, e não apenas por preferência. “Nós não compramos do Brasil simplesmente porque queremos. Compramos porque o país oferece a melhor combinação de qualidade e custo disponível no mundo.” Em 2025, as exportações brasileiras da categoria de pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas, brutas ou trabalhadas, somaram cerca de US$ 45,6 milhões para os EUA. Quando se incluem joias e outros artigos de matérias preciosas ou semipreciosas, o valor supera US$ 71,8 milhões. Segundo White, o Brasil possui uma infraestrutura mineradora difícil de ser replicada por outros países, com capacidade para extrair, cortar, polir e preparar pedras para comercialização em larga escala. “Simplesmente não existem alternativas equivalentes em outros lugares”, afirmou. Em sua manifestação ao USTR, a CM Paula informou que cerca de 120 produtos comercializados pela GeoCentral seriam afetados pela tarifa e argumentou que eles “não estão disponíveis em fontes alternativas com preços razoáveis, qualidade semelhante ou quantidade suficiente fora do Brasil”. Pedra ágata, importada do Brasil e vendida pela GeoCentral nos EUA Divulgação Histórico de tarifas já afetou a empresa White afirma que a empresa já sofreu impactos relevantes com o aumento das tarifas impostas anteriormente sobre importações brasileiras. Segundo o executivo, as sobretaxas obrigaram a companhia a reduzir despesas, demitir funcionários, diminuir investimentos em marketing e elevar preços praticados no atacado. Parte desses valores começou a ser devolvida após decisões da Justiça americana que questionaram a legalidade de tarifas impostas pelo governo dos EUA com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Com isso, várias cobranças foram suspensas ou passaram a ser questionadas judicialmente. No Brasil, as sobretaxas impostas pelos EUA chegaram a 50% sobre parte dos produtos exportados em 2025. Em 20 de novembro de 2025, porém, o presidente Donald Trump assinou um decreto que retirou a tarifa adicional de 40% aplicada a dezenas de produtos agrícolas e pecuários brasileiros, antes mesmo da decisão definitiva da Justiça americana sobre a legalidade das cobranças. Posteriormente, após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais parte dessas sobretaxas, o governo americano passou a utilizar outros instrumentos legais para sustentar algumas cobranças, incluindo uma tarifa global de 10% sobre as importações. Essa medida também foi contestada judicialmente, mas um tribunal federal de apelações decidiu mantê-la temporariamente em vigor enquanto analisa o recurso do governo. De acordo com White, a empresa já recuperou cerca de 10% dos valores devidos e espera receber o restante até o fim deste ano ou no início do próximo. Ao todo, a comp