Diego Souza, ex-meia com passagens marcantes por Grêmio, Vasco e Palmeiras, foi registrado no BID de treinadores da CBF em agosto com uma licença PRO da ATFA ...

Diego Souza, ex-meia com passagens marcantes por Grêmio, Vasco e Palmeiras, foi registrado no BID de treinadores da CBF em agosto com uma licença PRO da ATFA (Associação de Técnicos de Futebol da Argentina). Ele é um dos citados pelo argentino Alejandro Mancuso em esquema de venda de diplomas revelado ontem pelo UOL Prime.

No registro de treinadores da Confederação, Diego aparece autorizado a trabalhar a partir de 27 de agosto. A reportagem enviou para a ATFA uma lista com os nomes de clientes citados por Mancuso e a entidade afirmou que os nomes consultados não constavam em seus registros.

Em entrevista à coluna, Diego contou que recebeu a documentação em 2023, quando ainda jogava pelo Grêmio. Mancuso teria se identificado como "diretor internacional da ATFA" e justificado que atleta famoso não precisaria dos processos tradicionais para obter as licenças de técnico.

"Ele falou que tinha uma licença que ele conseguia para atletas renomados, que daria o direito de trabalhar em tudo quanto é lugar. Quando eu parasse de jogar, eu teria uma licença para seguir no futebol", explicou.

Mancuso e Diego estavam em um mesmo grupo de WhatsApp repleto de nomes importantes do futebol sul-americano. A coincidência facilitou o contato.

"Ele falou: 'Fulano fez comigo, beltrano fez comigo'. Um cara com todo o histórico que ele tem no futebol, que jogou em grandes equipes, na seleção argentina, e falando de uma maneira bem clara, né? Eu busquei informações com outros jogadores que já tinham recebido os documentos das mãos dele e aquilo fez com que eu acreditasse e tirasse essa licença com ele".

"Eu tomei a decisão de ter esse 'privilégio', entre aspas. Na época, nem pensava em trabalhar no futebol, ser treinador ou algo parecido. Era mais para estar preparado e ter aquilo como uma oportunidade", disse Diego. No esquema de Mancuso, os clientes recebiam as licenças PRO, A, B e C em poucos dias, sem necessidade de conclusão dos cursos.

A proposta para assumir seu primeiro clube profissional veio em julho deste ano. Com salário modesto e contrato curto, de três meses, ele iniciou a trajetória como treinador oficialmente no dia 1º de agosto. No dia 30, comandou o time pela primeira vez, na derrota para o Marcílio Dias por 4 a 2. Quando assinou a súmula para a partida válida pela primeira rodada da Copa Santa Catarina, não imaginava que suas licenças não eram válidas.

"Eu estou muito chateado com essa situação. Muito, muito mesmo. Por que um cara da força do Mancuso, com tudo o que conquistou, coloca a gente numa situação dessas? Eu tenho bastante medo das consequências, sim, porque eu jamais entraria em uma situação como essa (de falsificar documentos). Depois de tudo o que conquistei, fazer algo de errado dentro de uma profissão que me deu tudo? Jamais imaginaria isso. O que for preciso fazer para reverter isso, eu farei. Quero que se resolva para conseguir trabalhar. Que a pessoa pague por tudo o que ela fez".

A CBF informou que compete aos clubes assegurarem a veracidade dos documentos apresentados, segundo o artigo 13 do Regulamento Geral de Registros da CBF. Procurado pela reportagem, o Joinville não soube detalhar como foi feita a documentação.

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