Hoje podemos saber de tudo -os mecanismos de busca ou a inteligência artificial nos informam-, aprender a fazer de tudo ou comprar qualquer coisa com um único clique. Leia mais (06/28/2026 - 18h00)

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28.jun.2026 às 18h00

Iván Fernández Suárez Professor do programa de mestrado em prevenção de riscos ocupacionais. Consultor em prevenção de riscos ocupacionais da Fraternidad Muprespa

Hoje podemos saber de tudo —os mecanismos de busca ou a inteligência artificial nos informam—, aprender a fazer de tudo ou comprar qualquer coisa com um único clique.

Essas mudanças transformaram nossas vidas em todos os aspectos: nossa forma de trabalhar, a maneira como nos comunicamos e nossos hábitos de lazer e descanso.

Mas toda mudança traz consequências, e o estresse tecnológico —ou "tecnoestresse"— é uma das principais no âmbito da saúde mental, causado pelo uso intensivo das tecnologias.

Primeiro, devemos entender o estresse, que nada mais é do que um desequilíbrio entre as exigências (demandas) a que estamos sujeitos e nossas capacidades de enfrentá-las.

Embora tenhamos demonizado o estresse, ele nem sempre tem efeitos negativos. Na verdade, os momentos mais felizes de nossas vidas (um casamento, um nascimento são momentos com níveis máximos de estresse, o que nos ajuda a lidar com as exigências desses momentos. O problema surge quando o estresse nos domina e, em vez de nos ajudar a ser mais eficazes, acaba nos prejudicando.

As novas tecnologias têm sido tão importantes que se tornaram indispensáveis. Isso faz com que não consigamos nos separar delas, muitas vezes sem necessidade. E é justamente esse uso excessivo que está causando o maior impacto sobre nossa saúde.

O impacto do estresse tecnológico não é imediato, mas cumulativo. Ele vai se instalando em nosso organismo aos poucos, por meio de pequenas situações cotidianas, como verificar o email, enviar uma mensagem no WhatsApp ou acessar uma rede social. Esse fluxo contínuo de notificações e necessidades digitais adquiridas provoca um acúmulo elevado de tempo de conexão digital.

Entre os efeitos mais comuns destaca-se a saturação mental. Da mesma forma que nosso corpo se esgota diante de uma exigência física prolongada, a mente apresenta sintomas de esgotamento. Nossa atenção vive sob uma exigência constante e os recursos são limitados.

Acreditamos que podemos dar conta de tudo, mas o cérebro humano não foi projetado para uma multitarefa constante.

É nesse momento, quando ultrapassamos nossos limites, que surgem os efeitos sobre a saúde. Sintomas como dificuldade para adormecer, ansiedade, irritabilidade ou fadiga mental podem se associar a manifestações somáticas.

Assim, a tensão emocional pode provocar dores musculares ou cefaleias, bem como problemas digestivos e alimentares, circulatórios, de pele.

O estresse tecnológico é um fator precursor de doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, problemas respiratórios e cardiovasculares ou transtornos mentais. A OMS (Organização Mundial de Saúde) já as reconhece como uma pandemia, pois se tornaram a principal causa de morte no mundo.

Curiosamente, estas doenças tiveram um aumento exponencial na sua incidência nos últimos anos, coincidindo com a explosão da tecnologia. É que o estresse crônico é considerado um fator de risco para muitas destas doenças.