O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira (24) que a paz no Líbano é tão importante quanto pôr fim ao conflito no país persa. A declaração ocorre em meio a negociações com Washington e uma viagem do chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, pelos países do Golfo mais afetados pelas ações de represália de Teerã. Leia mais (06/24/2026 - 11h07)

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24.jun.2026 às 11h07

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Teerã e Tel Aviv | AFP e Reuters

O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira (24) que a paz no Líbano é tão importante quanto pôr fim ao conflito no país persa. A declaração ocorre em meio a negociações com Washington e uma viagem do chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, pelos países do Golfo mais afetados pelas ações de represália de Teerã.

Os ataques foram suspensos após a assinatura, na semana passada, de um pacto preliminar, que os líderes da República Islâmica consideram "uma declaração de derrota" dos EUA.

Agora, Washington e Teerã iniciaram uma negociação para alcançar um acordo permanente, o que deu fôlego às autoridades do Irã. "O memorando de entendimento de Islamabad não é resultado de pressão nem de coerção, e sim da resistência e da determinação da corajosa nação iraniana", afirmou Ghalibaf, sobre o acordo, que foi alcançado graças à mediação do Paquistão.

"Por isso, o memorando de entendimento de Islamabad adquiriu o valor de uma declaração de derrota dos Estados Unidos", acrescentou Ghalibaf, que também é presidente do Parlamento do Irã. Ele também disse que são os países da região que devem garantir a segurança no Oriente Médio.

Washington mantém várias bases militares em toda a região, justamente onde Rubio iniciou sua viagem com o objetivo de tranquilizar seus aliados. Após desembarcar na terça-feira nos Emirados Árabes Unidos, o secretário de Estado discutiu o acordo de paz nesta quarta-feira com o líder do país, o xeque Mohamed bin Zayed al-Nahyan.

Rubio renovou o compromisso de Washington com a segurança dos Emirados, segundo um porta-voz. O americano também visitará Kuwait e Bahrein, onde participará de uma reunião do Conselho de Cooperação do Golfo.

O chefe da diplomacia americana antecipou que pretende abordar com as autoridades regionais o memorando de entendimento com Teerã, que não menciona o programa de mísseis iraniano nem o apoio a seus grupos aliados, como o Hezbollah no Líbano e os rebeldes houthis no Iêmen, duas preocupações para os países vizinhos e para Israel.

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Rubio insistiu que nenhum país tem direito de cobrar pedágios no estreito de Hormuz, depois que Omã e Irã sugeriram que no futuro poderiam cobrar um valor pelo que chamaram de "serviços marítimos" na região. Mas o Irã mantém o tom de desafio e parece insistir que, para os países do Golfo, seria mais vantajoso um alinhamento com a República Islâmica, não com o Ocidente.

"Não vemos o futuro da região no confronto, e sim na interação", declarou Ghalibaf. O principal negociador do Irã também reiterou que a paz no Líbano, país arrastado para a guerra quando o grupo pró-iraniano Hezbollah atacou Israel, é um pilar fundamental para alcançar um acordo definitivo com os EUA.

Segundo a mídia libanesa, um carro foi atingido por um drone israelense no sul do Líbano nesta quarta, matando duas pessoas. Já o Exército de Israel disse que atacou dois membros "armados do Hezbollah" que "representavam uma ameaça" às suas forças também no sul do país vizinho. Ainda não está claro se os episódios estão relacionados.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, voltou a afirmar nesta quarta que as suas tropas não se retirarão do sul do Líbano. Autoridades de Beirute e Tel Aviv discutem, em negociações em Washington apoiadas pelos EUA, uma proposta para que as forças israelenses deixem parte do território que ocuparam durante a guerra e o entreguem ao controle do Exército libanês.

O esforço dos líderes iranianos para apresentar o acordo com Washington como uma vitória também foi direcionado para dentro do país, já que existem divisões e oposição às negociações dentro do regime.