Apesar de haver semelhanças nos projetos, existe nuances nas abordagens e elaboração de ideias dos candidatos

A saúde pública é um dos temas centrais dos programas de governo dos candidatos à Presidência da República. As propostas têm como eixo central o reforço da medicina preventiva, a digitalização do sistema de saúde, a redução das filas e a introdução de Inteligência Artificial para otimizar processos e o fortalecimento da telemedicina. 

Essa reportagem faz parte da série O Brasil Que Eles Querem, que vai destrinchar os planos de governo dos candidatos a presidente sobre Tecnologia, Educação, Cultura, Segurança, Economia,  Meio Ambiente, Saúde, Relações Internacionais,  Esporte e Diversidade

Apesar de haver semelhanças nos projetos, existe nuances nas abordagens e elaboração de ideias dos candidatos. De acordo com especialistas, o grande desafio dos candidatos é aprimorar as propostas, já que muitas delas já existem. 

O Terra traz, neste texto, um resumo do que propõe cada um dos 13 postulantes à Presidência da República nas eleições deste ano. A seguir, veja o que diz cada candidato (em ordem alfabética pelo nome de urna) sobre suas propostas para a saúde no Brasil.

Clariana Barão, do Democracia Cristã (DC), estruturou seu programa de saúde com foco na prevenção. Para isso, a candidata propõe a ampliação do acesso à Atenção Primária de acordo com a localização dos pacientes a partir de um prontuário interoperável. O projeto inclui ainda a elaboração de um sistema informatizado para acompanhar as filas do SUS e o desenvolvimento da produção nacional de medicamentos, equipamentos e outros insumos. 

O programa destaca também a prioridade para crianças e mulheres, a partir de atendimento humanizado no Pré-natal e cuidado materno-infantil com acompanhamento nutricional e vacinal. O propósito é promover a integração entre saúde, assistência, segurança e justiça. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

O candidato Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), propõe em seu plano de governo a expansão do sistema de saúde e fortalecimento do SUS a partir da redução da participação privada na prestação de serviços essenciais. Para isso, sugere a estatização de todo o setor e a criação de Conselhos Populares de Saúde, eleitos pelos trabalhadores, para o controle do sistema em todos os níveis. 

O plano indica também a valorização de profissionais de saúde, a partir da ampliação de concursos públicos, além de fortalecer a produção interna de medicamentos, vacinas, insumos e equipamentos médico-hospitalares. 

"Saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Portanto, não pode ser tratada como mercadoria nem subordinada à lógica do lucro. Defendemos um sistema público, gratuito, universal e de qualidade, capaz de atender toda a população brasileira, independentemente de renda ou local de moradia", explicou Edmilson Costa, via assessoria de imprensa, à reportagem do Terra.

"Um dos nossos objetivos centrais será levar a saúde para onde o povo vive e trabalha. Vamos ampliar a rede assistencial, construir unidades básicas e hospitais especialmente nos bairros populares e nas regiões hoje menos atendidas e fortalecer a medicina de família. O atendimento básico próximo da residência ou do local de trabalho deve ser a base de organização do sistema", complementou.

O plano de governo de Augusto Cury, que é psiquiatra, tem como foco a saúde mental e a prevenção. Cury defende o fortalecimento da atenção psicológica, ações voltadas à saúde emocional e uma abordagem que relaciona saúde mental, educação e desenvolvimento humano. 

Além disso, o candidato pretende transformar o Brasil no 'maior centro de telemedicina do mundo', com o intuito de propiciar agilidade no atendimento especializado, principalmente em regiões distantes, e reduzir desigualdades no acesso à saúde.

Para isso, o plano prevê que 80% das consultas básicas pelo SUS sejam feitas por telemedicina para 'desafogar' as filas que se formam no atendimento com especialistas. Apesar de ser entusiasta da tecnologia, o candidato observa que o cuidado humano ainda é um pilar fundamental para o setor. Por isso, defende que ferramentas como a Inteligência Artificial sejam uma aliada da medicina.

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas.

Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), elaborou o seu plano de governo com base na ampliação da capacidade de atendimento e redução das filas. Para isso, Flávio defende a implantação de um prontuário eletrônico único, vinculado ao CPF do cidadão e integrado ao Gov.br. A ideia é que documento digital reúna histórico completo de consultas, exames, vacinas e prescrições. 

Outra medida defendida pelo candidato é a contratação de serviços e exames na rede privada nos horários ociosos, além da entrega de remédios em domicílio para idosos e pessoas com deficiência ou doenças crônicas. 

Em contato com a reportagem do Terra, via assessoria de imprensa, Flávio afirmou que pretende montar uma equipe baseada em critérios técnicos. O candidato enalteceu o oftalmologista Claudio Lottenberg, que será o ministro da Saúde em caso de vitória nas eleições.

"Prometi que nosso time de ministros será formado por perfis técnicos e a escolha do Lottenberg faz jus a isso. Uma pessoa gabaritada e comprometida em resgatar o Brasil e cuidar do Ministério da Saúde e valorizar o SUS. Vou honrar o que foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro e montar um time de ministros que sejam lembrados pela excelência na condução do país", afirmou.

Candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz Dias tem como base de seu plano de governo para a saúde a estatização integral do SUS. Entre as medidas, defende a proibição da transferência de leitos públicos para planos privados e a contratação de trabalhadores via concurso público. O candidato propõe ainda uma atenção especial à saúde mental, tendo em vista a ampliação do investimento público nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).