Dois terremotos de alta magnitude e simultâneos na noite de quarta-feira (24), seguidos por sismos menores, resultaram em calamidade humana na Venezuela, onde a população sofre com os malefícios dos quase 30 anos de bolivarianismo e hoje vive sob um governo tutelado pelos Estados Unidos e de legitimidade questionada. Leia mais (06/27/2026 - 22h00)

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27.jun.2026 às 22h00

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Dois terremotos de alta magnitude e simultâneos na noite de quarta-feira (24), seguidos por sismos menores, resultaram em calamidade humana na Venezuela, onde a população sofre com os malefícios dos quase 30 anos de bolivarianismo e hoje vive sob um governo tutelado pelos Estados Unidos e de legitimidade questionada.

A economia em frangalhos, a corrupção sistêmica do chavismo e a situação de pobreza de 68% da população agravam a tragédia no país vizinho.

Dados divulgados pelo Palácio de Miraflores na sexta-feira (26) listavam 920 pessoas mortas, 4.300 feridas e pelo menos 50 mil desaparecidas no norte do país, sobretudo no estado de La Guaira. A contagem tende a elevar-se a dezenas de milhares de vítimas até o fim das dramáticas buscas nos escombros.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou a Venezuela como "zona de desastre" e decidiu restringir o acesso a La Guaira. Na quinta-feira (25), criou um fundo de US$ 200 milhões para a futura reconstrução física, graças a repasses do Fundo Monetário Internacional. A destruição e a crise humanitária, entretanto, estão longe de ser dimensionadas.

Os terremotos atingiram um país que ainda engatinha no desmonte da economia bolivariana —uma diretriz de Washington, que aliviou sanções, a ser executada por chavistas históricos.

Medidas anunciadas nos últimos meses prenunciam a abertura da mineração e do setor petrolífero aos investimentos estrangeiros, a renegociação da dívida pública estimada em US$ 240 bilhões (200% do Produto Interno Bruto) e a futura privatização ou liquidação de estatais.

Em cinco meses de intervenção dos EUA, a Venezuela continua distante da democracia. O regime amenizou seu ímpeto repressor, mas os planos de Washington de concluir a reestruturação econômica do país antes do início da transição política tendem a adiar as chances de eleições para além de 2028.

A crise humanitária sugará recursos escassos do Estado. A maioria dos venezuelanos depende de subsídios e cestas básicas do governo, vive de empregos precários e enfrenta a carência de atendimento médico. Desse estrato certamente virá o grosso da lista de vítimas.

A solidariedade da comunidade internacional mostrou-se rápida, incluindo a ajuda de US$ 150 milhões dos EUA. A questão de fundo, cuja resposta será protelada ainda mais pela calamidade humanitária, é até quando a cidadania venezuelana estará apartada da definição de seu destino.

editoriais@grupofolha.com.br

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