Safra avalia que o mercado já antecipou parte de um cenário fiscal mais favorável e defende uma estratégia mais cautelosa no Tesouro Direto
Safra avalia que o mercado já antecipou parte de um cenário fiscal mais favorável e defende uma estratégia mais cautelosa no Tesouro Direto
18:15 - atualizado às 17:37
Imagem: Brenda Rocha/Blossom/Shutterstock
Quem comprou Tesouro IPCA+ quando as taxas estavam em 8% ao ano teve poucos motivos para reclamar nas últimas semanas. A forte queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições impulsionou os preços dos títulos do Tesouro Direto e gerou ganhos que, em alguns casos, chegaram perto de 25% no acumulado de um mês.
Agora, o investidor que está olhando para o Tesouro Direto se depara com uma realidade diferente daquela observada meses atrás.
O juro real dos papéis indexados à inflação caiu da faixa de 8% para a faixa de 6% ao ano. Os prefixados também passaram por bastante reprecificação — caíram de uma taxa próxima de 14% para 12% ao ano.
Isso significa que as taxas já não estão nos níveis recordes que chamaram a atenção do mercado ao longo do ano, e a discussão deixou de ser sobre travar IPCA+ 8% ao ano.
A pergunta do momento é: onde ainda existe oportunidade nos títulos públicos?
A reação do mercado ao resultado do primeiro turno — em que o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, saiu como favorito à cadeira do Planalto no segundo turno — foi imediata.
Além disso, parlamentares de direita e da mesma legenda de Flávio, do Partido Liberal (PL), aumentaram significativamente suas participações nas bancadas do Senado Federal e da Câmara de Deputados.
A leitura predominante dos agentes financeiros foi a de que a nova composição do Congresso aumenta as chances de aprovação de uma agenda fiscal mais restritiva a partir de 2027.
Entre 30 de setembro e 6 de outubro, as taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto recuaram entre 1,20 e 1,32 ponto percentual. Nos títulos atrelados à inflação, a queda ficou entre 0,38 e 0,56 ponto percentual, segundo dados do Safra.
Essa queda das taxas teve um efeito imediato sobre os títulos que já estavam nas mãos dos investidores. Na renda fixa, preço e taxa caminham em direções opostas: quando o mercado passa a exigir juros menores para emprestar dinheiro ao governo, os papéis com taxas mais altas ficam mais valiosos.
Em relatório, porém, o banco pondera que existe uma diferença importante entre expectativa e realidade.
Embora o mercado tenha passado a apostar em uma trajetória mais favorável para as contas públicas, ainda não há definições sobre o pleito eleitoral. O segundo turno está previsto para 25 de outubro.
E ainda que Flávio Bolsonaro saia vencedor, não há clareza sobre equipe econômica, medidas concretas de ajuste fiscal ou capacidade de articulação política para aprová-las.
Na prática, os investidores já começaram a precificar um cenário mais benigno antes que ele efetivamente exista.
Segundo o Safra, as melhores opções para alocação nos títulos públicos agora estão concentradas nos vencimentos intermediários.
Em 6 de outubro, o Tesouro IPCA+ 2032 pagava 6,97% ao ano acima da inflação.
Já o Tesouro IPCA+ 2040 oferecia 6,67% ao ano.
O Tesouro IPCA+ 2050, por sua vez, pagava 6,55%.
Ou seja, em troca de uma taxa maior, o investidor também assume menos risco.




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