A nova pesquisa Real Time Big Data trouxe um dado que merece atenção: o pré-candidato do PSB ao governo do Acre, Thor Dantas, saiu de 5% para 7% das intenções...

COMPARTILHAR0SigaSiga Google Discover Thor Dantas/Foto: Reprodução A nova pesquisa Real Time Big Data trouxe um dado que merece atenção: o pré-candidato do PSB ao governo do Acre, Thor Dantas, saiu de 5% para 7% das intenções de voto em um mês. O crescimento é modesto, mas, entre os nomes colocados na disputa, mostra que existe um espaço para quem representa um campo político diferente dos demais.

A questão é que esse espaço parece maior do que os números revelam.

A eleição de 2026 no Acre caminha para um cenário em que os principais adversários disputam o mesmo eleitorado de centro-direita. Mailza Assis, Alan Rick e Tião Bocalom, cada um à sua maneira, falam para um público semelhante. É justamente aí que Thor poderia encontrar sua oportunidade.

Até agora, porém, tem escolhido outro caminho.

Médico e oriundo do ambiente acadêmico, Thor leva para a política um discurso técnico, racional e cuidadoso. Em tempos normais, isso poderia ser um diferencial. Mas campanha eleitoral raramente premia apenas quem apresenta diagnósticos. Ela recompensa quem cria contraste.

E contraste é justamente o que falta.

Thor parece disputar a eleição como se estivesse em um seminário. Expõe ideias, apresenta argumentos e evita confrontos mais diretos. Enquanto isso, seus adversários ocupam o debate político sem encontrar resistência à altura.

Na política, especialmente quando se é oposição, não basta existir. É preciso demonstrar por que o eleitor deveria trocar quem está no poder por uma alternativa.

É aqui que cabe a velha expressão usada nos bastidores da política: falta um pouco de “ódio”. Não no sentido literal, muito menos de agressividade pessoal. Mas da disposição para fazer o enfrentamento político.

Quem disputa pelo campo da esquerda normalmente cresce quando consegue traduzir indignação em discurso. Quando aponta responsabilidades, estabelece diferenças e obriga o adversário a responder.

Thor ainda parece desconfortável nesse papel.

Há exemplos recentes de lideranças de esquerda que entenderam essa lógica. A deputada federal Érika Hilton construiu projeção nacional justamente porque não evita o embate político. Concorde-se ou não com suas posições, ela compreendeu que, na oposição, visibilidade nasce do contraste.

No Acre, Thor ainda fala como quem espera ser descoberto pelo eleitor.

Talvez precise inverter a lógica.

Quem representa a única candidatura claramente identificada com a esquerda dificilmente ganhará espaço tentando parecer moderado diante de adversários que dominam esse campo. Sua vantagem competitiva está justamente em ocupar o lugar que ninguém mais ocupa.

Os dois pontos conquistados mostram que há uma porta entreaberta.

A dúvida é se Thor pretende apenas atravessá-la ou se está disposto a escancará-la.

O peso de Márcio Bittar

Márcio Bittar não é candidato ao governo, mas continua sendo um dos principais articuladores da direita acreana. A aliança construída com Mailza e a aproximação com Jessica Sales mostram que o senador pretende influenciar diretamente o desenho da eleição de 2026. Quem imaginava um Bittar apenas preocupado com a própria reeleição ao Senado errou a leitura.

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