Rui Águas, antigo internacional português, admite que viu melhorias na exibição de Portugal contra a Croácia, mas prevê uma missão complicada diante de E...

Portugal voltou a sofrer muito para conseguir ultrapassar a Croácia nos 16avos de final do Campeonato do Mundo de 2026, onde irá agora defrontar a Espanha por um lugar nos 'quartos' da competição.

Mas a vitória voltou a dividir opiniões sobre a influência de Cristiano Ronaldo e de Roberto Martínez no modelo de jogo da seleção nacional lusa.

Em conversa exclusiva com o Desporto ao Minuto, o antigo internacional português Rui Águas admitiu que o jogo foi bem conseguido na primeira parte, mas que Roberto Martínez tem estado em dois modos extremos no que toca à gestão dos jogos e do plantel de Portugal.

"Bom, a gestão não é algo que me ocorra quando se fala em Roberto Martínez, o selecionador de Portugal. Novo Mundial? Podemos entender a expressão como uma fase diferente. Fase de grupos é fase de grupos. Um jogo a eliminar é um jogo a eliminar", começou por afirmar o antigo avançado de Benfica e FC Porto.

"Claro que em relação à fase de grupos que passámos, mas sem ser muito bem conseguida, há sempre a esperança que, com os jogadores que temos, as coisas sejam diferentes, que sejam mais convincentes, que sejam mais seguras. Algo que no jogo de ontem foi conseguido parcialmente. Acabámos por vencer de uma maneira feliz, com muito esforço, com mérito, mas com uma oposição que pôs em causa claramente a eliminatória", apontou.

Já acerca da substituição mais comentada do momento, com Rúben Neves a entrar para o lugar de Cristiano Ronaldo, o ex-jogador com 31 internacionalizações pela equipa das quinas admite que a troca era de caráter "obrigatório".

"Obrigatório, obrigatório. Da maneira como a equipa estava desequilibrada, a conseguir o empate, com o desgaste do Ronaldo, com o adversário por cima e mais fresco… Portugal fez uma primeira parte, ao contrário do que eu achava, de muito desgaste, de muita pressão e podia ter resolvido, pelo menos quase, no primeiro tempo, o jogo. Na segunda parte, eu acho que fisicamente as coisas também empurraram Portugal para trás e a Croácia esteve melhor", assumiu Rui Águas.

Portugal terá agora pela frente uma seleção que bem conhece, numa reedição da final da Liga das Nações conquistada em 2025, em Munique, mas a Espanha poderá ser um 'osso duro de roer', depois de também ter começado com um empate inesperado na fase de grupos deste Campeonato do Mundo.

Ainda assim, nada garante que uma fórmula utilizada frente à Croácia possa ser novamente decisiva diante dos nuestros hermanos nos oitavos de final da prova.

"Jogos não são jogos. Não se sabe o que se vai passar. Ontem [contra a Croácia] teve a ver com as circunstâncias do jogo. As substituições têm a ver com o rendimento, com a opinião do treinador, se está a ganhar, se está a perder, se está empatado. Depende, depende muito. Não podemos agora prever aquilo que vai suceder", referiu o antigo avançado, que deixou alguns elogios à seleção e possíveis mudanças para o onze inicial diante dos espanhóis.

"A equipa na primeira parte esteve bem. Não acho que vá alterar muito. Podia-se considerar a questão da inclusão do Bernardo Silva, por causa do meio-campo, mas mudar o sistema é algo que também não tem sido normal e tem que, nesta fase de um Campeonato do Mundo, se calhar não faz sentido estar a fazer este tipo de alterações. Por isso, à partida não me parece que vão haver mudanças", continuou.

Quanto à utilização de Gonçalo Ramos após o golo da qualificação frente à Croácia, o antigo avançado tem sérias dúvidas que irá ter mais oportunidades desde já, apesar de considerar que Roberto Martínez terá mais vezes o seu nome em mente quando olhar para o banco de suplentes.

"Mas ele merece jogar pelo seu valor e pelo seu trajeto desde sempre. Não é o facto de ontem ter conseguido, felizmente, marcar o golo que vai alterar muito. Eu acho que vai continuar na mesma. Acho que, ao mesmo tempo, fazer um golo decisivo é importante, quer para o jogador, para a sua confiança, quer para a consideração do treinador. Imagino que pense nele mais vezes do que tem vindo a pensar, que é muito pouco", confessou Rui Águas.

A data em que se jogou a partida diante da Croácia levantou muitas emoções devido ao aniversário da morte dos irmãos Diogo Jota e André Silva, mas o ex-Benfica e FC Porto não considera que esse deva ser o foco para este Mundial.

"Acho que se exagera muito com estas histórias. Claro que as pessoas tentam aproveitar tudo o que seja para inspirar os jogadores, mas acho que a partir de certa altura, é exagerado, acho mesmo. Já passou tempo, as homenagens aconteceram e muitas, merecidas. Acho que nos devemos concentrar naquilo que devemos fazer e que agora vai ser, como sabemos, mais difícil ainda", disse o ex-internacional luso.

"Portugal mais candidato? Não, acho que não mudou nada. A Espanha também começou menos bem, mas ontem voltou a assumir a sua imagem ao ganhar claramente. A vitória de Portugal ontem não mudou muito, a não ser o facto de seguir em frente no Mundial2026", concluiu.

Selecionador nacional acredita que "luz" de Diogo Jota ajudou Portugal a encontrar o caminho da vitória frente à Croácia e obter o consequente apuramento. A substituição de Cristiano Ronaldo também mereceu explicações.