Pela décima vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o discurso de abertura da ...
Pela décima vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o discurso de abertura da Assembleia da ONU, em Nova York. A fala do petista nesta terça-feira, 22, foi marcada por críticas às Nações Unidas, ao tom eleitoreiro e à manutenção de tradições e superstições.
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Veja como foi o discurso de Lula na ONU em sete pontos:
Em ano de eleição, o discurso de Lula passou, por algumas vezes, por sua própria trajetória política. Ao criticar as guerras no mundo, o brasileiro voltou a si mesmo: "Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade. Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de Estado. É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome", afirmou.
Em outros momentos, Lula mencionou assuntos internos, como o fim da escala 6x1, defendida por seu governo, e a menção às bets, também criticadas pelo petista em ações de campanha.
O encerramento do discurso também foi voltado diretamente ao público brasileiro, com menção direta às eleições do próximo dia 4. Lula se colocou como um defensor da democracia e da "vontade popular".
O presidente brasileiro iniciou o discurso com fortes críticas à postura da Organização das Nações Unidas em meio às guerras. Lula foi direto e disse que a credibilidade da ONU "nunca esteve tão baixa". Segundo ele, a organização estaria "falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra".
"Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança", disse.
Na sequência, Lula defendeu os palestinos e chamou de genocídio os atos liderados pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na região. O petista também falou da guerra entre Rússia e Ucrânia e do conflito envolvendo o Irã.
A fala de Lula também foi recheada de recados para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente arrancou aplausos da plateia da assembleia ao dizer que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", frase que pode ser vista como uma indireta ao republicano.
Além disso, Lula citou o Pix, dizendo que o País não vai ceder "às pressões de multinacionais que querem privatizar" o meio de pagamento.
Falando sobre o combate do governo federal às organizações criminosas, Lula aproveitou para defender a não intervenção estrangeira no assunto -- tema que passou a ser discutido após Trump considerar as facções brasileiras como organizações terroristas.
"Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos', disse Lula.
O discurso do brasileiro foi aplaudido quatro vezes pela plateia da Assembleia. A primeira salva de palmas ocorreu logo após Lula elogiar o momento em que a ONU "reconheceu o tráfico de escravizados como o mais grave contra a humanidade".
Depois, ainda em meio às críticas sobre a atuação da ONU, Lula foi aplaudido ao defender que Francesca Albanesa, relatora especial das Nações Unidas, "não pode ser silenciada por dizer a verdade". Francesca tem sido alvo de ataques e ameaças após dizer que as ações de Israel contra os palestinos seria genocídio.
A terceira salva de palmas ocorreu quando Lula disse a frase "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". Por fim, a quarta salva de palmas aconteceu no encerramento do discurso do presidente brasileiro.
Mais uma vez o presidente Lula discursou usando sua gravata da sorte. A gravata de fundo azul marinho leva as cores do Brasil, com listras em verde, amarelo e branco. O petista usou o acessório pela primeira vez em 2008 e, desde então, costuma acompanhar Lula em agendas internacionais e compromissos relevantes. A primeira vez teria sido quando Lula esteve em Pequim, durante as Olimpíadas.
Sua companheira, a primeira-dama Janja da Silva, também se tornou afeita às tradições nas vestimentas. Em todas as suas três participações na Assembleia da ONU, ela usou um casaco com bordado palestina, que ganhou de presente da embaixada da Palestina no Brasil.
Em sua fala de pouco mais de 20 minutos, o presidente Lula mencionou cinco vezes o termo "democracia". Em todas elas, o regime é posto em uma situação de perigo e que precisa ser defendido.




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