Ações da companhia despencaram 25%, refletindo preocupação dos investidores com impactos da rápida transformação provocada pela IA sobre os negócios da empresa centenária O post Tombo da IBM: confira bastidores do pior dia da história da empresa apareceu prim…
Na terça-feira (14), a IBM viveu o pior dia de sua história após divulgar um raro alerta antecipando resultados abaixo do esperado para o segundo trimestre. As ações da companhia despencaram 25%, refletindo a preocupação dos investidores com os impactos da rápida transformação provocada pela inteligência artificial (IA) sobre os negócios da empresa centenária.
Pessoas familiarizadas com as discussões internas informaram ao The Wall Street Journal que a divulgação do alerta foi resultado de um intenso debate no conselho de administração.
Diante do desempenho considerado decepcionante, os conselheiros precisaram decidir entre antecipar as más notícias ao mercado ou aguardar a divulgação oficial dos resultados, prevista para uma semana depois, quando os executivos poderiam explicar os números aos investidores.
Após questionamentos ao CEO, Arvind Krishna, o conselho optou por divulgar antecipadamente os resultados na tentativa de reforçar a credibilidade da companhia por meio da transparência. “Neste trimestre tropeçamos”, escreveu Krishna em uma carta enviada aos investidores e publicada poucas horas antes da abertura dos mercados na terça.
Krishna, que ingressou na IBM como engenheiro de software em 1990 e ocupa o cargo de CEO desde 2020, prometeu detalhar o cenário durante uma teleconferência marcada para a próxima quarta-feira (22). “Temos convicção na força do nosso portfólio e na transformação estratégica do nosso negócio”, escreveu.
Para Don Bilson, chefe de pesquisa da Gordon Haskett, o CEO precisa reagir rapidamente. “Ele precisa resolver isso rapidamente, porque a última coisa que qualquer CEO de 63 anos pode se dar ao luxo é ser estigmatizado como um executor irregular responsável por vendas históricas de ações”, afirmou em nota enviada a clientes.
Nos últimos meses, empresas de software, como Salesforce, Workday e Snowflake, sofreram com o receio de que ferramentas de IA desenvolvidas por companhias, como Anthropic e OpenAI, reduzissem a demanda por seus produtos. No caso da IBM, entretanto, o problema é diferente.
O alerta divulgado pela empresa mostra que os investimentos das empresas em infraestrutura de IA, incluindo memória e soluções relacionadas à segurança cibernética, estão deslocando recursos antes destinados à aquisição de hardware tradicional.
Segundo Daniel Morgan, gestor de portfólio e analista da Synovus Trust, muitos clientes passaram a tratar produtos da IBM como gastos que podem ser adiados. “Você pode ver alguns dizendo: ‘Ei, vamos adiar isso por alguns trimestres… não precisamos atualizar para o novo mainframe agora'”, afirmou Morgan. “Isso está prejudicando eles.”
Ao contrário de empresas, como Nvidia, Google e Oracle, que alugam capacidade computacional, comercializam chips ou fornecem infraestrutura de rede para IA, a IBM vende sistemas de hardware e software instalados fisicamente nas empresas clientes. Entre seus principais compradores estão grandes instituições financeiras e redes varejistas.
Entre os temas discutidos pela liderança da companhia está a possibilidade de a IBM ter se tornado excessivamente dependente de grandes clientes corporativos.
Segundo pessoas próximas às discussões, os executivos avaliam que esse modelo torna a empresa vulnerável a ciclos de atualização irregulares e ao adiamento de grandes contratos em períodos de incerteza econômica.
Uma das alternativas em análise é ampliar a presença entre empresas de médio porte, diversificando a base de clientes. No entanto, a direção reconhece que essa estratégia exigirá tempo para produzir resultados.
O conselho também acompanhará de perto a atuação da equipe liderada por Krishna, considerada um importante teste para sua gestão. Alguns conselheiros demonstram preocupação de que a empresa adote uma postura excessivamente conservadora, o que poderia comprometer seu crescimento. Um novo encontro do conselho está previsto para o fim de julho.
A reação negativa dos investidores foi considerada exagerada por Debanjan Saha, ex-funcionário da IBM e atual CEO da DataRobot. Em uma publicação no LinkedIn, ele elogiou a transparência de Krishna. “A punição não corresponde ao crime”, escreveu.
Segundo Saha, a forte queda das ações representa uma discussão mais ampla sobre o futuro da empresa. Esta venda não foi sobre um trimestre. Foi o mercado reavaliando uma questão: pode uma empresa corporativa de 115 anos liderar a era dos agentes de IA, ou apenas sobreviver a ela?”
Arvind Krishna assumiu o comando da IBM em 2020, sucedendo Ginni Rometty, após atuar como vice-presidente sênior da divisão de software de nuvem e computação cognitiva. Sua nomeação sinalizou uma mudança estratégica para ampliar a atuação da empresa em software e computação em nuvem.
Entre os principais movimentos da gestão está a aquisição da Red Hat por US$ 34 bilhões (R$ 173,9 bilhões). Krishna participou da integração da companhia, que se tornou um dos principais motores de crescimento da IBM.
No ano passado, a divisão de software respondeu por cerca de US$ 30 bilhões (R$ 153,4 bilhões) dos US$ 67,5 bilhões (R$ 345,3 bilhões) de receita da empresa.
A IBM também reforçou seus investimentos em nuvem híbrida e computação quântica, desmembrou o negócio de terceirização de TI da Kyndryl para simplificar sua estrutura e adquiriu a empresa de software em nuvem HashiCorp.


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