Le_Brimet é um dos oradores do Data with Purpose Summit que acontece dia 25 de junho, em Oeiras. O artista conversa sobre a utilização de dados para criar as suas obras.

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A cimeira Data with Purpose é organizada pela Nova IMS e pelo Município de Oeiras. Realiza-se no dia 25 de junho, no Centro de Congressos do Tagus Park e tem o Observador como parceiro. O evento vai reunir CEOs, investigadores e criadores também, todos a discutir o papel dos dados. Reflexões que lançamos também aqui e hoje falamos com Lebrimy, fundador e diretor criativo da Spectrum, pioneiro do design computacional regenerativo em Portugal. Isto são palavrões. Bem-vindo.

Obrigado pelo convite.

Vamos já desqualificar isto, porque transforma pixels em objetos, dados em experiências físicas e algoritmos em formas tangíveis. Já foi distinguido com vários prêmios internacionais por isto mesmo. Explique-me como é que faz isso no seu trabalho, como é que o seu trabalho transforma os números e os dados que temos num ecrã, que nós associamos muitas vezes a folhas de Excel, mas aqui estamos a falar de espaços de luz, como é que isto acontece?

Antes de mais, obrigado pelo convite. É um prazer enorme estar aqui. E para mim é incrível partilhar a minha experiência e o meu conhecimento. Voltando à sua questão sobre os dados, há uma certa, não diria iliteracia, mas algum desconhecimento sobre o que são dados. Dados é informação. Nós crescemos, sobretudo os millennials, a ver o Matrix e a pensar que os dados são zeros e uns, são binários, que vão rodando pelo screen, mas na verdade, os dados podem ser imagens, vídeos, texto, número. Dados, no fundo, é tudo aquilo que existe e que possa ser qualificável ou quantificável. Qualificável ao nível da qualidade e quantificável ao nível da quantidade. Para além disso, os dados têm múltiplas variações, ou seja, os dados podem ser considerados a essência, mas depois ainda temos os metadados, que conseguem catalogar os dados.

Mas mesmo os dados podem ser dados globais ou dados pessoais. Ou seja, eu posso usar os meus dados pessoais para criar arte. Eu posso usar os dados globais que existem, que são do domínio público, que existem na internet.

Uma série de números, de estatísticas.

Absolutamente. Pode ser alfanumérico, numa visão mais matemática, mas pode ser geométrico. Eu posso usar geometria do Malevich para criar arte, design ou arquitetura. Então é muito importante perceber que o mais importante, na minha ótica, é perceber a fonte dos dados. Se é eticamente correta, se os dados que eu estou a usar são dados que não põem em risco direitos autorais.

Claro. Portanto, a sua preocupação chega a esse nível.

Absolutamente. Sobretudo, essa consciência de que o input da minha criatividade não põe em xeque a liberdade e os direitos dos meus pares. Portanto, para mim, isso é absolutamente crucial.

Quer dar exemplos de obras, podemos chamar assim? Obras suas.

Qual foi a base de dados de que partiu e qual foi o output, o resultado?

Há um exemplo, para mim, muito importante na minha obra. Eu desenvolvi uma instalação na Estufa Fria, em Lisboa, e uma das coisas que eu fiz foi catalogar as espécies da Estufa Fria.

As espécies botânicas?

As espécies botânicas. Peguei no meu telemóvel e comecei a fotografar e fiz um levantamento. Quando se trabalha com dados, a primeira fase é o registo. É perceber que tipologia de dados é que temos e fazemos esse registo. Depois temos que retificar e clarificar os dados para depois colocarmos num sistema de criação de AI.

Então, os dados são inputs e raramente são outputs.

Portanto, nesse caso, os seus dados de partida eram a catalogação das espécies botânicas da Estufa Fria, que, para quem não sabe, é no centro de Lisboa, junto ao Parque Eduardo VII, e é um jardim de inverno muito grande.

Literalmente. E uma das minhas preocupações foi, sendo o tal jardim de inverno a estufa, uma espécie de espaço privilegiado onde podemos ver espécies que não poderíamos ver de uma forma tradicional, funciona também como reserva. E a minha questão é: imaginemos que o mundo a avançar como está a avançar, como é que as espécies vão evoluir? Eu peguei nessa base de dados, literalmente, e criei um sistema para estudar a evolução das espécies nos próximos 10, 15, 20 anos, onde tentava questionar, com o avanço da tecnologia e o avanço da poluição e das emissões de CO₂, como é que as espécies poderiam crescer e evoluir. Então chamei de Data Tree Metamorphosis, que é exatamente como é que a metamorfose das plantas poderiam ser feitas. E criei uma espécie de dois portais, um portal digital e um portal físico. No portal digital, foi uma animação criada também com inteligência artificial, onde conseguimos perceber a evolução das espécies ao longo do tempo.

Visual e fisicamente.

Visualmente. Num painel de LED, onde poderíamos ver a metamorfose também em imagem, porque como nós trabalhamos em AI com vídeo, podemos estudar a metamorfose.