"Sem vergonha", Ventura joga ao taticismo e o PS faz de muleta. No "amor-ódio", não se reforma apenas se "ajeita" o país numa navegação à vista por quem e...

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Este é o "Julvençorê" das manhãs 360, que também pode acompanhar com a imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. E Carla, neste início de semana estão conosco o José Manuel Fernandes e também o Luís Rosa.

Provavelmente já não teria condições para negociar nada, nem sequer a PSU.

E ainda bem que não se tomaram decisões precipitadas com base num cenário que é muito volátil. Enfim, andamos todos aqui a navegar à vista. Isto obviamente depois tem consequência nas políticas pouco estáveis do país, nas políticas públicas e nas decisões que se vão tomando, como é evidente.

José Manuel, e vamos andar assim nesta expressão, vamos lá outra vez ao pisca-pisca, vamos andar neste pisca-pisca? E vai ser assim que o Governo vai andar.

Isto é um triângulo amoroso de amor-ódio. Portanto, não é só amor, é também ódio e sobretudo marcação ao homem entre estes três líderes. O que isto tem, apesar de tudo, de positivo? É que não foi aberta nenhuma crise política, nem ninguém se precipitou. As pessoas tiveram mais calma, como referia agora o Paulo, o Ferro Rodrigues, e portanto, foi possível continuar a conversar. O que isto tem de negativo? Este caso a caso, este ora à direita, ora à esquerda, cria a percepção de que não se governa, vai-se governando, não se reforma, e nem é vai se reformando, é vai se ajeitando. Vamos lá ver, não é muito diferente do que se passa hoje em dia em quase todos os países da Europa, onde não há capacidade, devido aos sistemas políticos muito pulverizados, de fazer o que quer que seja de mais substantivo, mas ao mesmo tempo também não andamos de eleição em eleição a todo o momento. Eu creio que isto vai passar por uma altura Para alguns momentos mais críticos, provavelmente o orçamento vai ser um deles, se bem que as coisas já estejam muito condicionadas, acho eu. Mas a questão é saber se outros temas que estão em cima da mesa, como por exemplo, os temas da reforma do Estado, onde tudo indicava que haveria, em parte desses temas, acordos entre o PS e o governo, vão ou não passar. E também se vai perceber até que ponto é que a evolução das sondagens põem esta gente toda nervosa, porque também já percebemos que há muita gente aqui a carburar as sondagens. Está para cima, está para baixo. Se está para cima, posso fazer o que entender, se está para baixo, corto custos, faço mais, faço menos.

Também são voláteis.

E sobretudo, há uma coisa que é relevante. Alguém há pouco tempo comentava que uma coisa são sondagens realizadas num quadro eleitoral em que as pessoas estão a pensar em quem vão votar, outra coisa são estas peças de estudos de opinião, onde as pessoas não têm essa preocupação, ninguém está a pensar: "Não vou votar amanhã, sei lá, logo verei." Há uma taxa de não resposta gigantesca e no fundo só acabam por responder ou alguns ou irritados ou militantes. E isso, naturalmente, gera uma grande volatilidade e muitas contradições nos números das sondagens, que estão muito diferentes uns dos outros. Se bem que tenham tendências, mas apesar de tudo, estão muito diferentes e que valem muito pouco nesta altura. Portanto, governar com base em sondagens em alturas destas parece-me particularmente errado. Estamos, em princípio, bastante longe de eleições, nem sequer umas autarcas temos no horizonte, nem umas europeias. Os portugueses respiraram fundo com as presidenciais do princípio do ano e mesmo assim tiveram que votar duas vezes, o que só aconteceu duas vezes em democracia. Portanto, acho que isto pelo menos tem uma vantagem. Pode ser que tenhamos orçamento sem dramas de maior. Mas também já percebemos que o tempo das vacas gordas com bónus antes do orçamento, bónus para os pensionistas, bónus no IRS, aparentemente não haverá este ano. Isso já foi indicado ao FMI, é a notícia de hoje no "Público", e portanto, de certa forma era esperado e o próprio governo tinha andado a avisar-nos para isso. Mas não é por aqui também que costuma dizer o gato vai às filhós, porque são pequenas migalhas que contariam para os pensionistas, para quem paga IRS contava já muito pouco. Portanto, vamos andando. Pisca-pisca, namora aqui, namora acolá. Pronto, é assim.

É assim, é no pisca-pisca, Luís. André Ventura voltou com as ameaças este fim de semana que vai tirar consequências do entendimento do governo com o PS.

Claro. Já agora, eles são todos muletas uns dos outros, porque o Chega e o PS também se juntam muitas vezes para aprovar ou para chumbar medidas do governo.

Exato. E também falam aquelas maiorias negativas, como por exemplo, a questão das portagens.

Mas diz Ventura que até à aprovação do Orçamento de Estado surgiram outras etapas que podem, aqui estou a citar, "redefinir o nosso espaço político do atual ciclo eleitoral". Eu tenho que voltar a dizer isto, acho que é importante. Acho que foi um momento realmente importante. Parece-me que este espaço poderá ter sido redefinido, não é uma certeza, mas é uma possibilidade, poderá ter sido redefinido com o chumbo da reforma laboral, em que o Chega se aliou à esquerda e à extrema esquerda. Foi o Chega a muleta das forças mais imobilistas da sociedade portuguesa para chumbar a reforma laboral. E este é o meu ponto: é que Ventura devia corar de vergonha sempre que se apresentou ao eleitorado como sendo o líder da direita. É que Ventura nem é de direita, nem é de esquerda, é pura e simplesmente um taticista, um oportunista, como já disse no outro dia, e como muita gente já tem dito, e eu apoio perfeitamente essa crítica, um oportunista que promete tentar agradar a tudo e a todos, não promete nada que seja governar com responsabilidade de acordo com o interesse comum. E eu confesso que tenho falado cada vez mais nos últimos dias com eleitores do Chega, que vejo que estão muito desiludidos com o Ventura. Veremos se aquela imagem do camarada André Ventura a cerrar o punho e a comemorar com os seus camaradas da CGTP com um sorriso sonso não será, de facto, um ponto central da liderança de Ventura. É que muitos eleitores de direita não percebem que não exista uma maioria política no Parlamento. São dois terços aritméticos, não são dois terços políticos. E Ventura ainda acaba aos olhos dos eleitores, de uma parte dos seus eleitores, como responsável por esse desperdício político

É esse o meu início de semana a avaliar Ventura.

Está a dar uma nota muito baixa a André Ventura, Luís. Será?

Eu dou-lhe uma nota, um cinco. Eu não dou zeros, não sou tão pessimista como o Zé Manel, mas estou a caminhar para aí.

Zé Manel, que nota vais dar?

Eu não disse que ia dar zero a ninguém. Eu, para já, dou a isto tudo, como isto é um triângulo amoroso, portanto três, seis, vai seis. Pronto. Isto é científico tudo, Zé Manel, isto é tudo científico.

Claro. Triângulo, seis. E tu?

Eu dou um sete aos precipitados, que tiram conclusões precipitadas à medida que estas coisas vão ocorrendo. Coitados.

Tudo muito científico em relação ao triângulo amoroso. Enquanto isso, Bruno, o que se passa com o LIVRE? Está a arrumar a casa também?