Na foto, os candidatos ao governo de Pernambuco Ivan Moraes, João Campos e Raquel Lyra - Arthur Botelho/Folha de Pernambuco, Edson Holanda/Prefeitura do Recife e Yacy Ribeiro/Divulgação No último debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco antes do primeiro turno das eleições deste domingo (5), Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL), estiveram reunidos, na manhã desta nesta quinta-feira (1º), em encontro promovido pela TV Jornal. 

Para além das propostas, as trocas de denúncias entre a atual governadora e o ex-prefeito marcaram o confronto desde o início, com acusações sobre o candidato a vice-governador de João Campos e a atual vice-governadora de Pernambuco. Empatados numericamente nos últimos levantamentos de intenção de voto, os dois apostam no desgaste das campanhas adversárias.

Debate nacional No bloco de abertura, após a apresentação dos três candidatos que explicaram ao eleitor por que querem ser governadores de Pernambuco, abriu-se uma rodada livre de perguntas entre os postulantes ao Palácio do Campo das Princesas. Sorteado para iniciar, Ivan Moraes nacionalizou o debate, cobrando Raquel um posicionamento para diferenciar o ex-presidente Bolsonaro e o presidente Lula.

“Qual a diferença de ser prefeita de uma grande cidade do interior dentro de um governo de Bolsonaro e ser governadora do estado como Pernambuco durante o governo do presidente Lula? Acho que é uma pergunta importante para que a gente possa ver a diferença das duas gestões para o povo pernambucano”, questionou Ivan.

“Sempre coloquei o meu povo em primeiro lugar. Eu sempre coloquei a minha cidade, o meu estado em primeiro lugar. Agora, cuidando de todas as cidades pernambucanas. O pernambucano, brasileiro, ele vai escolher o seu voto, o seu presidente. E eu já tô trabalhando junto com o presidente. Já mostrei que sei fazer junto, que sei fazer muito mais. Pernambuco tá pronto para crescer”, respondeu Raquel. 

Vices na mira Em seguida, logo na sua primeira pergunta, Raquel questionou João Campos sobre uma matéria publicada pela Revista Veja. “Pernambuco hoje amanheceu com a notícia que precisa ser esclarecida. A investigação da Polícia Federal disse que seu vice recebeu mais de R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro. Ele disse  a Daniel Vorcaro: ‘pode cortar, não’, sobre o pagamento de uma mesada de R$ 100.000 por mês a Carlos Costa. Eu preciso saber e Pernambuco também. Você sabia disso antes de convidá-lo para compor a sua chapa?”, disparou a candidata.

“Candidata Raquel, é impressionante como você não deseja debater o futuro de Pernambuco. O candidato a vice já falou sobre isso, desde 2019 ele trabalha para Febraban, a Federação dos Bancos no Brasil, e presta serviços para vários bancos. De forma limpa e prestando um serviço decente. Agora, quem precisa dar as explicações sobre vice é você, candidata”, rebateu João.

“A sua vice-governadora é investigada hoje pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, CGU, Tribunal de Contas da União, porque recebeu mais de R$ 100 milhões de reais para o hospital do marido dela fazendo aditivos. E uma auditoria federal identificou quase R$ 1 milhão em fraudes em processos de tratamento de câncer e processos de hemodiálise, mais de 236 processos fraudados, a vice-governadora de Raquel Lyra. Ela deve explicações sobre isso”, cobrou Campos.

Outras denúncias “Hoje a imprensa nacional estampa sobre Valdomiro Teixeira, primo de Raquel, conhecido como Dod, homem poderoso, recebeu mais de R$ 1,7 milhão de reais de uma empresa que ganhou um contrato no governo dela de R$ 1 bilhão e 200 milhões de reais. E ele recebeu 48 transferências dessa empresa”, acrescentou o candidato.

“Essa fraude suposta que você fala do Ministério da Saúde, do Hospital, do marido de Priscila, que serve ao governo há 55 anos, passando por 15 governadores, ela foi anulada, suspensa, por indícios claros de direcionamento e má fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde, decisão judicial já tomada. Quanto à minha família, ao primo Dod, eu quero dizer para você que isso nada tem a ver”, retrucou a candidata. 

"Existe investigação na Polícia Federal, Ministério Público Federal, TCU e CGU em cima da vice-governadora Priscila Krause, muito grave. Fraudes em procedimentos de câncer, de hemodiálise, são gravíssimas. E também no dia de hoje, não sei se a a candidata já sabe, o processo de impeachment da vice, ele tramitou e foi para Comissão de Constituição de Justiça [da Alepe], ela pode sofrer um impeachment", disse João. "Eu tive a oportunidade de governar o Recife, fiz muito pelo Recife. Vocês percebem que ela não gosta de comparar a minha gestão como prefeito com a dela, porque ela não entregou nenhuma UPA, não fez nenhuma delegacia, não fez nenhuma escola técnica, não fez nenhuma delegacia comum. Isso é impressionante, não é? E agora tá prometendo fazer 11 novos hospitais. Quem não fez nenhuma UPA, nenhuma delegacia, vai conseguir construir 11 hospitais? Vocês acreditam?", concluiu o candidato.

Além da troca de denúncias, temas como saneamento, segurança pública, saúde e combate às fake news foram abordados, mas acabaram ficando em segundo plano na última oportunidade do eleitorado conhecer as propostas de cada candidato.