Assinatura ocorre dias depois de Donald Trump anunciar o pacto para reforçar a presença militar dos EUA na vasta ilha gelada, mantendo-a, porém, sob controle dinamarquês
O presidente Donald Trump assinou um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia com o objetivo de fortalecer a segurança no Ártico e no Atlântico Norte, amenizando as tensões decorrentes de seus repetidos apelos para que a Groenlândia se torne parte dos Estados Unidos.
A assinatura do acordo, realizada nesta terça-feira, 22, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York, ocorre dias depois de Trump anunciar o pacto para reforçar a presença militar dos EUA na vasta ilha gelada, mantendo-a, porém, sob controle dinamarquês. Os governos forneceram poucos detalhes do acordo antes da assinatura.
Há meses, Trump expressa seu desejo de que a Groenlândia se torne parte dos Estados Unidos e ameaça tomar o território semiautônomo da Dinamarca, um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Autoridades dos Estados Unidos, da Groenlândia e da Dinamarca negociaram nos bastidores durante meses, buscando soluções para algumas das preocupações de segurança de Trump em relação à ilha rica em minerais.
Os planos de Trump para a Groenlândia tensionaram as relações dentro da Otan, com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertando que uma tomada de poder pelos EUA equivaleria ao fim da aliança atlântica.
O impasse deixou muitos dos cerca de 56.000 habitantes da Groenlândia apreensivos e criou um atrito entre os EUA e a Dinamarca e seus parceiros da União Europeia, que intensificaram os exercícios de segurança e o apoio financeiro à ilha.
O comércio e as expectativas de exploração de recursos naturais contribuíram para as preocupações com o futuro da Groenlândia: cerca de dois terços de seu território estão localizados dentro do Círculo Polar Ártico, onde o derretimento do gelo marinho abriu novas rotas de navegação.
Os Estados Unidos tiveram uma presença marcante na Groenlândia durante décadas, mas, desde 1945, a presença militar americana no país diminuiu de milhares de soldados em 17 bases e instalações para cerca de 200 soldados na remota Base Espacial de Pituffik, no noroeste. A base apoia operações de alerta de mísseis, defesa antimíssil e vigilância espacial para os EUA e a Otan.
Em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas na manhã desta terça-feira, Trump deu uma pequena amostra dos detalhes do acordo.
“Iniciaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar nos locais apropriados”, disse ele, incluindo “a construção de duas bases militares muito importantes”.
O parlamento dinamarquês aprovou no ano passado um projeto de lei que permite a instalação de bases militares americanas em território dinamarquês, ampliando um acordo militar de 2023 firmado com o governo Biden que concedia às tropas americanas amplo acesso a bases aéreas na Dinamarca.
Trump já havia insistido que os EUA precisavam “tomar a Groenlândia” para impedir que a Rússia ou a China fizessem o mesmo . Embora Trump tenha dito que preferia “fazer um acordo” pelo território, ele acrescentou: “de um jeito ou de outro, vamos ficar com a Groenlândia”.
Mikkel Runge Olesen, pesquisador sênior do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, afirmou que a Groenlândia e a Dinamarca saem do acordo com a possibilidade de “encerrar a crise sem comprometer a soberania”, enquanto os EUA obtêm um acordo “um pouco mais favorável” do que o previsto no tratado de defesa vigente.
Mas, de forma geral, as relações entre os EUA, a Dinamarca e a Groenlândia “provavelmente serão afetadas por isso muito tempo depois de Trump deixar o cargo, e a crise provavelmente terá um impacto negativo significativo e duradouro nas relações transatlânticas em geral”, disse ele. “A confiança perdida levará décadas para ser reconstruída.”
Em uma publicação nas redes sociais no sábado, 19, Trump escreveu que o acordo emergente “dá aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança e todas as outras necessidades na Groenlândia, atendendo completamente a todas as nossas muitas preocupações americanas”.
Em um comunicado do governo dinamarquês atualizado na noite de segunda-feira, Frederiksen disse que seu país estava prestes a “fazer um grande anúncio” para a Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos.
Ela afirmou que o acordo “reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo da Groenlândia à autodeterminação”.
Jens-Frederik Nielsen, primeiro-ministro da Groenlândia, afirmou que o acordo reconhece os interesses da Groenlândia e fortalecerá a segurança da Groenlândia, da Dinamarca, dos Estados Unidos “e da aliança ocidental”. /AP
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